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São Paulo - A Saint-Gobain concluiu a venda da empresa de vidros para embalagens francesa Verallia em uma transação de 2,9 bilhões de euros. Os grupos Apollo Global Management LLC e Bpifrance terão 90% e 10% de participação na fabricante, respectivamente.

Em entrevista ao DCI, o diretor geral da Verallia América do Sul, Hugues Denissel, disse que agora a empresa estará no foco principal dos acionistas. "A Saint-Gobain foi importante para o desenvolvimento da empresa, mas não éramos prioridade para os negócios do grupo".

A Verallia possui 47 fábricas no mundo, sendo três no Brasil. Uma quarta unidade fabril está pronta para começar a operar na cidade de Estância, em Sergipe.

No mercado local, a fabricante tem maior atuação nos segmentos de cerveja, vinhos, alcoólicos e alimentos.

"Aumentamos recentemente a capacidade de produção da nossa planta da região Sul em 20% para atender à crescente demanda no País", disse o gerente comercial de embalagens, Alexandre Mendes de Oliveira.

O executivo explica que, mesmo diante da crise, alguns nichos apresentaram crescimento no Brasil, como suco de uva integral, por exemplo. "Apesar dos volumes ainda serem pequenos, existe um grande potencial de expansão neste negócio".

Além disso, com a apreciação do dólar, produtos como vinhos de faixa média de preço e espumantes apresentaram crescimento. "Houve uma migração de público com a crise. Muitos consumidores passaram a comprar bebidas nacionais", pontua.

Com isso, a fábrica da Verallia em Campo Bom (RS) teve um aumento expressivo da demanda principalmente por parte dos fabricantes de vinhos. "Cerca de 80% da produção nacional neste segmento fica no Rio Grande do Sul", acrescenta Oliveira.

A companhia também está expandindo a sua atuação no Nordeste, através da planta de Estância. A previsão é que a unidade comece a operar em dezembro deste ano.

"Esta região ainda tem um enorme potencial de crescimento, principalmente nos segmentos de cerveja e alcoólicos", pondera Denissel.

Concorrência

O executivo conta que o mercado de vidros para embalagens tem ficado cada vez mais acirrado. Além da brasileira Vidroporto, que aumentou recentemente a sua capacidade instalada localmente, a gigante de bebidas Ambev deve começar a operar em breve com forno próprio, tirando um consumo importante deste mercado.

"Apesar disso tudo, o consumo per capita de vidro ainda é baixo no Brasil se comparado a outros países. Temos potencial de crescimento do mercado", avalia Hugues Denissel.

Oliveira ressalta que a Verallia continuará com foco em produtos de maior valor agregado. Ele explica que a empresa enfrenta não só a concorrência com fabricantes de vidro, mas também com outros tipos de embalagem, como por exemplo, o plástico. "Tentamos mostrar ao consumidor que o vidro possui características únicas e que confere valor ao produto".

Denissel salienta que, apesar do momento difícil que afeta a economia brasileira, a empresa continuará investindo. "Sabemos que a crise não vai durar para sempre", avalia.