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Apesar dos altos índices de ociosidade que ainda assombram a indústria de máquinas de construção, as montadoras estão mais otimistas. O agronegócio e a redução da oferta de seminovos têm dado fôlego e um horizonte menos cinzento para o setor.

“Estamos virando a página da crise. Com a diminuição da oferta de seminovos, os clientes tiveram que procurar máquinas novas. Mas isso ainda não refletiu no emprego e na produção”, afirmou ao DCI o vice-presidente da entidade que reúne os fabricantes (Sobratema), Eurimilson Daniel.

A entidade revisou recentemente a projeção de crescimento das vendas de máquinas de movimentação de terra (linha amarela) de 8% para 20%, a pouco mais de 9 mil unidades. No entanto, este mercado já chegou a quase 30 mil poucos anos atrás.

“Os locadores, por exemplo, têm necessidade de renovar a frota, mas não na mesma velocidade que no passado. Hoje, estas empresas compram um décimo do que compravam cinco anos atrás”, esclarece.

Para a Vermeer do Brasil, o segmento de construção civil melhorou, mas longe o ideal. “Linha amarela está parada”, afirma o gerente geral da empresa, Flávio Leite. Para a empresa, os melhores negócios têm se concentrado principalmente em mineração, biomassa e manejo de árvores. “Vamos crescer cerca de 5% neste ano, apoiado principalmente em pós-venda, biomassa e manejo de árvores. Linha amarela vai demorar para retomar”, destaca o executivo.

A Volvo Construction Equipment projeta, para este ano, um crescimento de 30% a 40% das vendas em linha amarela. “Mas em função do ano eleitoral, esperamos uma queda no segundo semestre”, disse nesta quarta-feira (04) o presidente da Volvo CE na América Latina, Luiz Marcelo Daniel.

A divisão de linha amarela corresponde a 20% do faturamento total do grupo Volvo no Brasil e, segundo o executivo, o agronegócio tem sido um grande foco da marca. “Além disso, depois de uma forte depressão no mercado de commodities minerais, vemos novamente uma movimentação na mineração”, destaca.

Segundo o executivo da Volvo, atualmente 40% das vendas da marca são destinadas ao mercado interno e os outros 60% para América Latina, em função da expansão do mercado de mineração. “No Brasil, nos últimos 3 anos, investimentos principalmente em lançamentos locais e adaptações, em um montante total entre R$ 10 milhões e 12 milhões ao ano”, assinala. “Nos próximos anos, devemos investir um valor um pouco maior”, complementa.

Outra empresa que tem ampliado foco em agronegócio é a JCB. “A expectativa é que cada vez mais as máquinas de linha amarela sejam utilizadas pelo produtor rural, nas mais diversas aplicações, como limpeza de pátios e currais, carregamento de insumos, entre outras”, afirmou em nota o gerente nacional de vendas agrícolas da JCB, Michael Steenmeijer.

Perspectivas

Daniel, da Sobratema, avalia que as incertezas das eleições podem impactar negativamente a demanda no setor de linha amarela. Além disso, a retomada lenta das vendas também prejudica a indústria. “Enquanto operarmos 60% ociosos, o mercado vai ter rentabilidade baixa”, analisa o dirigente. Ele pondera, entretanto, que a crise serviu de lição para os players do setor. “Se há algo de positivo, as empresas aprenderam a trabalhar com produtividade. Estamos muito mais cautelosos.”