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Após um ano acima das expectativas, o setor de motocicletas tem perspectiva moderada para 2019 e projeta crescimento de 4,3% na produção. Fabricantes aguardam o impacto de medidas econômicas do próximo governo.

“Pode parecer uma estimativa tímida, mas é um novo governo que assume e o País precisa de vários ajustes estruturais. Ainda não sabemos qual será a profundidade das reformas e qual será o impacto”, declarou o presidente da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo), Marcos Fermanian, em coletiva de imprensa na terça-feira (11).

A projeção inicial para 2018 era de 11% de crescimento na produção, mas o número foi revisado para 19%, totalizando pouco mais de 1 milhão de motocicletas.

Para Fermanian, os principais fatores para o resultado foram o aumento de confiança do consumidor, maior oferta de crédito e a demanda por veículos econômicos. “Mais de 70% das vendas no varejo são por pagamento a prazo. Isso só ocorre se há maior confiança na empregabilidade.”

Houve crescimento de 10,3% das vendas no varejo. O dirigente aponta que houve melhora no nível de aprovação para financiamento, mas ainda aquém do necessário. “Segundo os bancos ligados às marcas, o índice era de 2,5 aprovados a cada 10 consumidores. Esse ano chegou a 2,8. Poderia ser mais abrangente, há uma informalidade muito grande e os bancos ainda estão entendendo isso.” A projeção para o varejo em 2019 é de melhora de 6,3% nas vendas. “Vamos avaliar como os ajustes do governo vão melhorar a economia. Se o mercado começar a receber um reflexo positivo vamos ajustar a demanda”, contou Fermanian. O dirigente afirma que não houve nenhum contato da Abraciclo com o governo de transição e que o setor está aguardando a posse do futuro presidente, Jair Bolsonaro, e de seus ministros.

O desempenho negativo ficou por conta das exportações, que devem fechar o ano com queda de 14,4%. A expectativa para 2019 é ainda pior, com redução de 30%. “Essa baixa se deve à intensificação da crise da Argentina”, explica Fermanian. O país vizinho é principal destino das vendas externas, representando 61,7%. Em seguida estão Estados Unidos (19,5%) e Colômbia (15,1%). Fermanian garante que há interesse em ter maior volume de motocicletas para outros países da América Latina, mas isso é dificultado pela concorrência com o mercado asiático. “A Argentina é um caso aparte, onde se dá preferência por pagar um pouco mais por uma motocicleta brasileira de qualidade superior”, explica. “O trabalho para ter esse convencimento no resto do continente é de médio e longo prazo.”

Bicicletas

A Abraciclo também divulgou que a produção de bicicletas no Polo Industrial de Manaus (PIM) deverá totalizar 751 mil unidades em 2018, um avanço de 16,5% sobre o ano passado. “Saímos de anos de declínio de mercado em 2017, quando conseguimos uma estabilização. Agora atingimos um número expressivo de crescimento, que traduz a aceleração da demanda”, declarou o vice-presidente do segmento de bicicletas da Abraciclo, Cyro Gazola, em entrevista coletiva. Para o dirigente, o crescimento se deve à redução do endividamento das famílias, aliada ao aumento da oferta de crédito. “Isso permitiu o retorno das compras planejadas”, assinala.

Para 2019, a projeção é de crescimento de 10%, totalizando 779 mil bicicletas produzidas no PIM.