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SÃO PAULO

O crescimento do uso da sucata ferrosa como matéria-prima para a produção de aço deve beneficiar principalmente pequenas e médias empresas, avaliam especialistas consultados pelo DCI. Isso porque as comercializadoras são, em grande parte, de menor porte, e a tendência é que este negócio cresça no Brasil.

"Redução da dependência do minério de ferro e do carvão, consciência ambiental e a própria política nacional de resíduos sólidos devem impulsionar o uso da sucata na produção de aço no País", afirma o economista Gesner Oliveira, um dos autores do estudo Dados Setoriais da Sucata de Ferro e Aço.

Ele diz que a participação da sucata ferrosa na produção de aço global é de cerca de 40%. No Brasil, este índice é de apenas 28%. Mas a tendência é que esta proporção cresça no País. "Estudos indicam que usinas semi-integradas (que utilizam a sucata) tendem a prevalecer, pois demandam ponto de fusão menos elevado e, consequentemente, menos energia elétrica", destaca.

Além disso, afirma Oliveira, a questão ambiental tem sido um fator determinante na adoção de usinas semi-integradas. "O uso da sucata apresenta vantagens como menos emissões de gás carbônico", reforça o economista.

E com o aumento do uso da sucata, as pequenas e médias empresas do ramo poderão ampliar os seus negócios. "As comercializadoras possuem as mesmas dificuldades de qualquer outra empresa desse porte, mas se as siderúrgicas aumentarem o consumo de sucata, certamente os pequenos e médios serão beneficiados", destaca Oliveira.

Exportações

De acordo com o Instituto Nacional das Empresas de Sucata Ferro e de Aço (Inesfa), as exportações brasileiras do produto registraram declínio pelo segundo mês consecutivo em abril. No mês passado, as vendas para o mercado internacional foram de 32,4 mil toneladas, queda de 11% em relação ao mês anterior. A receita também obteve um recuo de 4% na mesma base, para US$ 14,5 milhões.

Segundo o Inesfa, a queda se deve a uma variação natural do mercado global, que sofre de um excesso de oferta. "Não projetamos crescimento das exportações para este ano, já que deve haver um aumento do consumo no Brasil, reduzindo os volumes de exportações", afirma o presidente do Inesfa, Marcos Fonseca.

A entidade aponta que apenas 4% do volume de sucata brasileira são exportados. "As usinas nacionais consomem quase tudo", destaca Fonseca.

Em meados de 2012, o Instituto Aço Brasil iniciou uma discussão para sobretaxar a exportação de sucata ferrosa com o intuito de "impor barreira a países que bloqueiam as vendas de produtos de aço", o que segundo a entidade não seria uma "ação contra o setor de sucata".

No entanto, a Gerdau - grande consumidora e defensora do uso do produto - informou que "não está importando sucata e, no momento, não tem perspectivas de buscar essa matéria-prima no mercado internacional".

Para o presidente do Inesfa, as comercializadoras preferem exportar sucata porque fora do Brasil o produto é tratado como commodity. "As siderúrgicas nacionais querem pagar menos do que lá fora", destaca Fonseca.