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A mesma variação cambial que beneficiou o resultado operacional da Suzano provocou um prejuízo financeiro de R$ 1,849 bilhão no 2 º trimestre. A desvalorização do real frente ao dólar incrementou preços de papel e celulose, mas também a dívida da empresa.

“Embora os volumes de venda tenham caído, os preços internacionais permitiram um resultado melhor, tanto no segmento de papel, quanto de celulose”, avalia o analista da Upside Investor, Shin Lai. Apesar do volume de vendas de celulose da empresa ter sido 12,5% inferior na comparação com o 2º trimestre de 2017, a receita foi 26,9% melhor sobre a mesma base. “Os volumes não foram bons, mas em compensação, a demanda internacional e a conversão dos resultados em reais sustentou o crescimento”, explica Shin Lai.

De acordo com a Suzano, o preço líquido médio em dólar da celulose foi de US$ 745 a tonelada no 2º trimestre, aumento 29,2% em relação ao mesmo período de 2017. Em reais, a alta foi de 45% sobre os preços do ano passado. Em relação ao resultado financeiro, a produtora de celulose apresentou prejuízo líquido de R$ 1,849 bilhão, piora de 1031,3% ante igual período de 2017. Para Shin Lai, isso decorreu da dívida atrelada ao dólar e operações com derivativos com finalidade de proteção (hedge). “A empresa emprestou dinheiro para comprar a Fibria, o que elevou em quase 17% as despesas financeiras. Os resultados de operações com derivativos também subiram 1800%, tornando-se os dois grandes vilões do balanço”, diz.

O presidente da Suzano, Walter Schalka, destacou que os resultados foram afetados por eventos não recorrentes. “Nesse trimestre tivemos a greve dos caminhoneiros. Estávamos com estoques de matéria-prima reduzidos e sofremos mais do que nosso concorrentes”, declarou a jornalistas. Apesar do prejuízo, Schalka ressalta que o principal indicador para a empresa é a geração de caixa operacional, que registrou R$ 1,279 bilhão, 40,5% superior ao ano anterior. “Foi um número bastante positivo. Nosso nível de endividamento também está bastante confortável, em 1,7 vezes o Ebitda, e segue em evolução, apesar da variação cambial.”

Para o diretor executivo de finanças e relações com investidores da Suzano, Marcelo Bacci, o resultado ficou dentro do previsto. “Bastante adequado, embora impactado pela greve. Quanto ao resultado financeiro, nossa dívida é em dólar e tivemos de aplicar essa variação. Os hedges da transação com a Fibria acabaram gerando resultado negativo extra”, afirmou.

Fusão com a Fibria

Nesta quinta-feira (09), Suzano e Fibria divulgaram, por meio de fato relevante em conjunto, a convocação das assembleias dos acionistas das duas companhias para 13 de setembro. “A transação será aprovada definitivamente do ponto de vista societário. Tivemos aprovação sem restrição das autoridades antitruste dos EUA e seguimos com os processo no Brasil e outros países. Temos uma equipe trabalhando na integração das duas empresas”, declarou Bacci.