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Sem paradas para manutenção e pouco impactada pelos efeitos da greve dos caminhoneiros, a Veracel deverá ter produção recorde de celulose em 2018, atingindo sua capacidade máxima de 1,3 milhões de toneladas por ano.

“O nível de produção sempre depende do cronograma de paradas gerais, que ocorre a cada 15 meses. Em 2018, pela primeira vez na nossa história, teremos 12 meses de atividade continua. Se continuarmos no nosso ritmo atual, teremos o melhor ano de nossa história”, declarou para jornalistas o presidente da Veracel, Andreas Birmoser.

Originalmente projetada para produzir 900 mil toneladas de celulose por ano, a fábrica da empresa, localizada entre os municípios de Eunápolis e Belmonte, na Bahia, cresceu em capacidade e operava na faixa de 1,1 milhão de toneladas. A ausência de uma parada geral, procedimento obrigatório de manutenção para o setor, trouxe a possibilidade do resultado superior.

Além disso, a Veracel, uma joint venture formada pela Fibria e Stora Enso, não sofreu interrupções em sua linha industrial durante a paralisação dos caminhoneiros, ao contrário de boa parte das produtoras do setor. “Reduzimos algumas operações na área florestal, para economizar diesel, mas não interrompemos a produção. Fizemos ajustes para a fábrica continuar a rodar cheia”, explica Birmoser.

Ele conta que o maior problema foi relacionado à madeira. “O estoque ficou reduzido, mas nada que tenha comprometido a operação e já foi recuperado. Foi um plano de contingência bem sucedido para que a produção não fosse afetada.”

A empresa escapou até mesmo do tabelamento do frete, uma das medidas tomadas pelo governo federal para encerrar a greve. “Temos um contrato de longo prazo com uma empresa de transporte, por isso o tabelamento não nos afeta”, conta o executivo.

Ele explica que a logística do transporte da celulose consiste em um trecho de caminhão até Belmonte e de barca até o Terminal Especializado de Barra do Riacho (Portocel), localizado em Aracruz (ES).

Com a planta operando em sua capacidade máxima, um aumento de produção dependeria de uma expansão da fábrica. Conhecido como Veracel 2, o projeto é especulado há anos, mas ainda não tem previsão de ser colocado em prática. “É uma decisão que cabe aos dois acionistas [Fibria e Stora Enso]. O nosso papel é entregar a Veracel como a melhor opção e mostrar que o investimento vale a pena”, afirma Birmoser.

O executivo garante não se preocupar com a aquisição da Fibria pela Suzano. “Já passamos pela mudança da Aracruz para a Fibria. A vinda da Suzano não me tira o sono, os objetivos devem ser mantidos.”

Anunciada em março, a fusão das duas maiores produtoras de celulose do mundo está atualmente passando por processos de análise de órgãos antitruste de diversos países. No dia 9 de agosto, as empresas divulgaram, por meio de fato relevante em conjunto, a convocação das assembleias dos acionistas das duas companhias para 13 de setembro, com o objetivo de aprovar do ponto de vista societário a transação.

Agenda setorial

A Indústria Brasileira de Árvores (Ibá) irá entregar na próxima semana uma carta de princípios aos candidatos à presidência da república. O documento defende pontos para trazer melhora de competitividade ao setor e á indústria em geral. “Se as políticas dessa agenda forem implementadas, poderá haver uma evolução do ambiente de consumo”, declarou o diretor de política industrial do Ibá, Carlos Eduardo Mariotti.

Entre as diretrizes defendidas, estão a melhoria de infraestrutura, logística e energia, modernização das relações trabalhistas, equilíbrio das contas públicas e um reajuste fiscal. “Tem que vir um reajuste, ligado a competitividade da indústria. A carga tributária exige muito, isso precisa melhorar para avançarmos no mercado externo”, defende Mariotti.

A entidade também destaca a necessidade de maior estabilidade e clareza de regras. “O Reintegra, por exemplo, já estava no planejamento das empresas. Uma mudança brusca, como também ocorreu com o tabelamento do frete, impacta nos investimentos”, diz Mariotti, referindo-se ao programa de crédito tributário para exportação que teve a alíquota reduzida de 2% para 0,1% para compensar a perda de arrecadação com os subsídios ao diesel.

O diretor conta que o Ibá está atuando de forma institucional e jurídica contra o tabelamento do frete. “Estamos juntos com a CNI e a CNA nas ações de inconstitucionalidade contra essa medida.” /O repórter viajou a convite da Veracel