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Os escritórios de advocacia estão investindo mais em tecnologias para elevar a produtividade e reduzir custos. Segundo estudo da Fenalaw, quase 70% das bancas investiram até R$ 50 mil em softwares jurídicos em 2017.

Para o sócio e diretor de inovação da e-Xyon Tecnologia, Victor Rizzo, inicialmente os advogados olhavam para esse tipo de inovação com desconfiança, mas isso mudou no último ano. “Historicamente, os advogados eram refratários à tecnologia. Contudo, perceberam que pode ser um grande aliado as suas atividades pela redução de custos, agilidade e possibilidade de prestar mais serviços”, afirma.

O estudo da Fenalaw mostra que mais de 76% dos advogados citam os softwares de gestão jurídica como destino dos investimentos realizados para otimização dos processos internos. No ano passado, 20% investiram de R$ 50 mil a R$ 150 mil na compra de tecnologia para o escritório. Aproximadamente 5% aplicaram mais de R$ 300 mil na área.

A advogada e presidente da Forelegal, Celina Salomão, explica que o aumento na busca dos profissionais da área do direito por softwares que resolvam problemas de gestão é algo que fica claro no dia a dia. “As atividades de pouco valor agregado podem ser substituídas pela tecnologia. Com isso, aumenta-se o valor do trabalho”, diz.

Na opinião de Celina, se um advogado formado está trabalhando em uma função praticamente “braçal” no escritório como busca de processos nos sites dos tribunais, algo está errado. “Consultar manualmente ações não é advocacia. Esse trabalho pode ser efetuado por uma máquina de maneira mais eficiente”, conta.

Celina ainda entende que o uso de tecnologia reduz a quantidade de erros cometidos nesse tipo de atividade. “Por mais que exista uma perspectiva de margem de risco de falhas, o erro humano é mais comum”, acrescenta a advogada.

Sobre o aumento na busca por essas tecnologias no último ano e meio, a especialista acredita que muito se deve ao fato de que boa parte das ferramentas de gestão jurídica automatizada não existia antes. “Hoje, os big datas nos garantem uma estrutura e capacidade de instrução muito maiores do que no passado. O que sempre existiu foram os softwares de gestão, mas as novas tecnologias aumentam o escopo”, aponta.

Limites

Para Rizzo, hoje há um grande interesse por tecnologia na área. “Isso é materializado pela quantidade de eventos sobre o assunto que aparecem todos os dias”, avalia o empresário.

Apesar de todo o otimismo das pessoas que falam sobre o tema, Rizzo ressalta que a possibilidade de uma inteligência artificial fazer análise perfeita de precedentes para um determinado caso, verificando com assertividade a tendência de julgamento de cada juiz do Brasil e encaminhando uma linha de argumentação com maiores probabilidades de vitória ainda está longe da realidade. “Esse é o Santo Graal da advocacia. O robô teria que analisar a petição inicial e a sentença de cada um dos processos. É possível analisar dados muito específicos para uma determinada vara. Para o Brasil, o problema é o volume”, destaca o especialista.

Rizzo comenta que o mercado tem que amadurecer ainda para que isso ocorra.