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A unidade brasileira da companhia aérea Latam contestou no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) a joint venture da rival Azul com os Correios para transporte de cargas.

Embora tenha admitido que atualmente não presta serviços para os Correios, a Latam avaliou no documento enviado ao órgão antitrustre que a joint venture "afetará o ambiente concorrência de diversas formas".

Maior companhia aérea da América Latina, o grupo que uniu a chilena LAN com a brasileira TAM considera que a parceria Azul/Correios eliminará a demanda de um grande consumidor nacional de carga, uma vez que os Correios passariam a contratar a Azul com exclusividade para transporte aéreo de cargas.

A Latam também alega que o uso dos porões de aeronaves da Azul para transporte aéreo exclusivo de cargas dos Correios pode gerar economias cujos efeitos podem se refletir não apenas no custo do transporte de cargas, mas também no de passageiros (ao contabilizar o uso das aeronaves mistas, que transportam ambos).

Para a reclamante, esse cenário pode criar dificuldades para concorrentes que não tenham acesso a um fluxo de carga significativo e constante como aquele que o Correios apresenta.

Por fim, a Latam argumenta que o joint venture poderia eventualmente ter benefícios extras pelo fato de ter como cliente uma empresa de controle estatal.

A joint venture entre Correios e Azul para transporte de cargas foi anunciada em dezembro passado. A Azul terá 50,01 por cento da nova empresa e os Correios 49,99 por cento.

 

 

(Por Aluisio Alves)