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São Paulo - Cada vez mais presente no setor jurídico, as ferramentas tecnológicas deixaram de ser usadas apenas em atividades auxiliares para assumir função determinante nas práticas dos escritórios de advocacia.

Não que o uso de sistemas para a digitalização de documentos e de ferramentas de gestão estejam completamente disseminadas nos escritórios - ainda haveria espaço para crescer. Mas agora, já surgem novas iniciativas.

No escritório Nogueira, Elias, Laskowski e Matias Advogados (Nelm), por exemplo, há um projeto de modelo computacional para melhorar a tomada de decisão no contencioso de massa.

Nesta área, os clientes do escritório, normalmente de segmentos como o varejo, possuem uma infinidade de processos parecidos.

A ideia é que o sistema, munido de um extenso banco de dados, consiga dizer qual é o momento ideal, por exemplo, para fechar um acordo ou recorrer da sentença. Segundo um dos sócios do escritório, Eduardo Felipe Matias, a ferramenta deve permitir que, no final das contas, o cliente reduza o passivo na Justiça.

Para ele, o diferencial é que este tipo de ferramenta já mexe com o conteúdo do trabalho do advogado. "Não é apenas um meio para, por exemplo, delegar tarefas. É algo que coopera com a atividade do advogado. Quer dizer, algumas ferramentas são meio. Esta chega a ser um fim", diz.

Arroz e feijão

Ao mesmo tempo, as ferramentas ditas auxiliares ainda não estão completamente difundidas. Pesquisa divulgada no último mês de dezembro pela Associação de Advogados Norte-Americanos (ABA, na sigla em inglês) mostra que menos da metade (49%) dos advogados dos Estados Unidos usa ferramentas de auxílio na gestão da prática jurídica.

O relatório também destaca que, apesar de todos os advogados serem obrigados a manejar documentos, apenas 62% usam soluções para a gestão de documentos digitais.

Para o sócio diretor do Andrade Silva Advogados, David Gonçalves de Andrade Silva, a capacidade de emitir relatórios gráficos com auxílio da tecnologia, por exemplo, se tornou um diferencial do escritório.

"Conseguimos transmitir uma visão mais gerencial e menos jurídica. Mais números e menos processo. Assim o cliente deixa de pensar no advogado como custo, e passa a pensar nele como um investimento", acrescenta.

Ele é cliente desde 1999 da desenvolvedora curitibana Preâmbulo, que há 26 anos fornece soluções exclusivamente ao mercado jurídico. Hoje a companhia atende 5,3 mil escritórios, os quais possuem cerca de 20 mil usuários.

Tecnologia

A gestora comercial da empresa, Andreia Andreatta, explica que a solução vendida se chama CPJ. "É o nosso software principal. Ele dá uma visão abrangente da tramitação do processo, captura o andamento nos tribunais, faz o controle de prazos e integra todas essas informações na seção financeira", afirma ela.

A partir dessa ferramenta básica, ela conta que os clientes podem adquirir módulos adicionais. Os mais procurados envolvem a gestão de documentos digitais, o monitoramento de prazos judiciais, a consulta on-line da tramitação para clientes do escritório, e ainda um módulo para os que atuam no ramo de cobranças.

Segundo ela, não há restrição quanto ao tamanho do escritório para usar a ferramenta. "O porte deles variam bastante. Temos clientes com apenas um usuário, outros com centenas", afirma.

Outro tipo de empreitada que pode ganhar espaço nos escritórios é o aprimoramento dos canais internos de comunicação. Em alguns casos, esse movimento começa com a criação de um grupo de telefones no aplicativo WhatsApp.

Rede social

No Nelm, o grupo surgiu recentemente, diz Matias, mas faz parte de um conjunto de iniciativas. Também com o objetivo de melhorar a comunicação entre os advogados, o escritório encomendou - há cerca de três anos - uma rede social própria. O sistema foi batizado de NelmNet.

"Lá os colaboradores podem comentar, curtir. E se alguém precisa de ajuda num contrato em idioma estrangeiro, por exemplo, pode ser o meio para encontrar ajuda. Ou se alguém precisa de um especialista em direito aeronáutico. Não é uma forma tão burocrática quanto o e-mail", acrescenta ele.