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Por Elizabeth Pineau e Caroline Pailliez

PARIS (Reuters) - O presidente da Assembleia Nacional da França, Richard Ferrand, está determinado a permanecer no cargo, informou seu gabinete nesta quinta-feira, apesar de juízes terem submetido o aliado próximo do presidente francês, Emmanuel Macron, a uma investigação formal em um caso de irregularidade financeira.

Juízes da cidade de Lille, no norte do país, interrogaram Ferrand durante todo o dia na quarta-feira, em um caso que pode aumentar os questionamentos sobre a promessa de Macron de limpar a política francesa.

O gabinete de Ferrand disse que ele negou qualquer irregularidade, acrescentando que ele aproveitará a investigação para se defender e que tem confiança de que o caso será rejeitado.

"O presidente da Assembleia Nacional está determinado a continuar com a tarefa conferida a ele por sua família política e seus eleitores", disse o gabinete em comunicado divulgado de madrugada.

Ferrand preserva o apoio de Macron, disse a porta-voz do governo, Sibeth Ndiaye.

"Richard Ferrand é inocente até que se prove o contrário", disse Sibeth à rádio Europe 1. "É lógico o presidente manter sua confiança em Ferrand porque é um homem leal, que teve, acredito, uma carreira política exemplar".

Pela lei francesa, ser alvo de uma investigação formal significa que existem "indícios sérios ou consistentes" que apontem para o envolvimento provável de um suspeito em um crime.

É um passo rumo a um julgamento, mas muitas investigações são descartadas sem chegarem aos tribunais.

Um inquérito anterior de procuradores públicos franceses sobre as movimentações financeiras de Ferrand foi abandonado no final de 2017, mas em seu decurso ele renunciou a um ministério.

Como parlamentar, ele hoje comanda o partido governista de Macron na câmara baixa do Parlamento. O inquérito mais recente diz respeito, como o anterior, à administração de uma seguradora de saúde da Bretanha a cargo de Ferrand.

A nova investigação foi iniciada depois que o grupo anticorrupção Anticor reapresentou sua queixa original em uma jurisdição diferente, disse um assessor de Ferrand.

Segundo seu gabinete, Ferrand acredita que o caso será rejeitado porque não se ofereceu nenhum indício novo desde que o caso foi descartado pela primeira vez.

(Reportagem adicional de Leigh Thomas)