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(Reuters) - Em meio a preços mais altos, a produção de minério de ferro da China no primeiro bimestre avançou 3,9 por cento em relação ao mesmo período do ano anterior, para 118,55 milhões de toneladas, de acordo com dados do Escritório Nacional de Estatísticas chinês divulgados nesta sexta-feira.

A produção no maior importador global de minério de ferro subiu após uma alta de mais de 15 por cento no preço do produto com 62 por cento de ferro na China, desde o colapso mortal da barragem da mineradora Vale em Brumadinho (MG), em 25 de janeiro, que resultou em restrições à produção e preocupações sobre a oferta global.

Atualmente, o minério de ferro entregue na China, principal cliente do produto brasileiro e da Vale, está cotado a 87,5 dólares por tonelada, após um pico de mais de 94 dólares em 11 de fevereiro, segundo dados da consultoria SteelHome.

Analistas chegaram afirmar anteriormente que a alta dos preços aliviaria para a Vale os efeitos da possível queda na produção.

Após o rompimento da barragem, que deixou mais de 300 vítimas, entre mortos e desaparecidos, a Vale teve de suspender a produção de 51 milhões de toneladas por ano, sendo 13 milhões na mina Vargem Grande, 8 milhões de Córrego do Feijão, onde houve o desastre, e 30 milhões em Brucutu --as suspensões estão associadas a medidas da companhia para desmonte de barragens ou decisões de autoridades suspendendo operações, como no caso de Brucutu.

A Vale também afirmou que compensaria em parte a perda da produção decorrente dos desdobramentos de Brumadinho com outras operações. Apesar das restrições, as exportações de minério de ferro do Brasil aumentaram quase 10 por cento em fevereiro, pela média diária de embarques.

E, no acumulado das duas primeiras semanas deste mês, pela média diária, os embarques estão mais altos ante 2018, em 1,68 milhão de toneladas/dia, versus 1,42 milhão na média de março do ano passado, segundo dados do governo.

Nesta semana, a Secretaria de Meio Ambiente da prefeitura de Mangaratiba (RJ) interditou, pela segunda vez neste ano, as operações da Vale no terminal portuário de minério de ferro na Ilha da Guaíba, citando problemas de poluição e a não apresentação de uma licença de operação.

A interdição adiciona preocupações sobre a oferta do produto da Vale, uma vez que a movimentação anual do terminal tem girado em torno de 40 milhões de toneladas ao ano.

A China normalmente não divulga dados separados de janeiro e fevereiro, por conta do feriado do Ano Novo Lunar.

 

(Por Roberto Samora, com reportagem adicional de Tom Daly, na China)