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Por Lucia Mutikani

WASHINGTON (Reuters) - Os gastos dos consumidores dos Estados Unidos aumentaram pouco em janeiro, enquanto a renda cresceu modestamente em fevereiro, sugerindo que a economia está perdendo força rapidamente após o crescimento ter desacelerado no quarto trimestre.

O relatório do Departamento de Comércio divulgado nesta sexta-feira também mostrou que as pressões sobre os preços também foram moderadas em janeiro, com a inflação registrando o menor aumento anual em quase dois anos e meio. Na semana passada, o Federal Reserve encerrou o ciclo de aperto de política monetária e aumento de juros.

O banco central dos EUA abandonou as projeções para qualquer aumento da taxa de juros neste ano, depois de aumentar os custos dos empréstimos quatro vezes em 2018, reconhecendo a desaceleração da economia, baixa inflação e aumento dos desafios para o crescimento.

"A demanda doméstica está claramente desacelerando agora e, com o aumento do incentivo fiscal se dissipando e taxas de juros mais altas, a expectativa é que isso continue", disse Andrew Hunter, economista sênior da Capital Economics.

Os gastos do consumidor, responsáveis por mais de dois terços da atividade econômica dos EUA, subiram 0,1 por cento, com as famílias norte-americanas reduzindo as compras de veículos. Os dados de dezembro foram revisados para baixo, mostrando os gastos do consumidor caindo 0,6 por cento em vez de 0,5 por cento relatado anteriormente.

Economistas consultados pela Reuters previam que os gastos dos consumidores aumentariam 0,3 por cento em janeiro. A divulgação dos dados de consumo de janeiro foi adiada por uma paralisação parcial de cinco semanas do governo federal que terminou em 25 de janeiro.

Quando ajustados pela inflação, os gastos do consumidor ganharam 0,1 por cento em janeiro, após uma queda não revisada de 0,6 por cento em dezembro.

O fraco relatório de gastos do consumidor ampliou a série de dados fracos que vão de construção de moradias até atividade industrial, e que sinalizam uma forte desaceleração no crescimento econômico no início do primeiro trimestre. A economia está perdendo força, conforme os efeitos do estímulo do pacote de cortes de impostos de 1,5 trilhão de dólares e do aumento de gastos do governo se dissipam.

As perspectivas também estão sendo ofuscadas pela desaceleração do crescimento global, guerra comercial entre Pequim e Washington e pela incerteza sobre a saída do Reino Unido da União Europeia.

As previsões do Produto Interno Bruto para o primeiro trimestre chegam a apenas 0,9 por cento em dado anualizado. A economia norte-americana cresceu 2,2 por cento no quarto trimestre.

Mas a decisão do Fed de diminuir o aperto da política monetária pode sustentar o mercado imobiliário sensível à taxa de juros. Um segundo relatório divulgado nesta sexta-feira pelo Departamento de Comércio mostrou que as vendas de imóveis residenciais subiram 4,9 por cento, para uma taxa anual de 667 mil unidades em fevereiro, com ajuste sazonal, o nível mais alto desde março de 2018.

O mercado imobiliário, no entanto, representa uma pequena fração da economia. Uma recuperação no setor, que registrou um ritmo moderado no ano passado, provavelmente não será suficiente para diminuir o impacto no crescimento da desaceleração do consumo e da produção.

Em janeiro, os gastos com bens caíram 0,2 por cento depois de declinarem 2,4 por cento em dezembro. Essa foi a segunda queda mensal nos gastos com produtos e refletiu uma queda nas compras de veículos.

Os gastos com serviços aumentaram 0,2 por cento, com os consumidores pagando mais por serviços financeiros e seguros. Os gastos com o setor subiram 0,3 por cento no mês anterior.

Com a desaceleração da demanda, o núcleo do índice de preços PCE, que exclui os componentes voláteis de alimentos e energia, subiu 0,1 por cento, após avanço de 0,2 por cento em dezembro.

((Tradução Redação São Paulo, 55 11 56447509))

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