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Por Patricia Zengerle

WASHINGTON (Reuters) - Lideranças democratas e republicanas do Congresso em relações exteriores se manifestaram, nesta sexta-feira, contra uma revisão pelo governo de Donald Trump de sua política de ajuda internacional, o que pode levar, receiam os críticos, a cortes abruptos nos recursos para programas mundiais de saúde, promoção da paz, entre outros.

Os presidentes e outros membros destacados da Comissão de Relações Exteriores do Senado e da Comissão de Assuntos Internacionais da Câmara dos Deputados pediram ao Gabinete de Administração e Orçamento (OMB, na sigla em inglês) do governo Trump que disponibilize os 4 bilhões de dólares em recursos previstos imediatamente.

A política internacional --incluindo as relações próximas de Trump com a Arábia Saudita, bem como seus planos passados de retirar tropas da Síria e reduzir a ajuda à América Central-- é uma área em que mesmo os republicanos mais leais no Congresso têm discordado da Casa Branca.

“Esses recursos, que foram designados pelo Congresso e sancionados em lei pelo presidente em seguida a longas negociações bipartidárias, são essenciais para promover a liderança global dos EUA e proteger a segurança do povo americano”, disseram os parlamentares numa carta ao diretor de orçamento, Mick Mulvaney, e ao diretor interino, Russell Vought.

O OMB não respondeu de imediato a pedidos de comentário.

A carta foi assinada pelos deputados Eliot Engel e Mike McCaul, presidente democrata e líder republicano da comissão da Câmara, bem como pelos senadores Jim Risch e Bob Menendez, presidente republicano e líder democrata da comissão do Senado.

Na semana passada, o governo Trump enviou uma carta ao Departamento de Estado e à Agência para Desenvolvimento Internacional congelando os recursos e ordenando a revisão de até 4 bilhões de dólares em ajuda internacional. Os críticos temem que a iniciativa leve ao corte da verba.  

Pela Constituição dos EUA, o Congresso, e não o presidente, é que decide como o dinheiro deve ser gasto. Os críticos do plano de Trump acusam seu governo de tentar contornar a autoridade do Parlamento ao desrespeitar as leis aprovadas previamente para destinar os recursos para os projetos de ajuda internacional.

Trump tem pedido ao Congresso repetidamente que corte verbas para ajuda internacional e diplomacia.