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O vice-presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Richard Clarida, afirmou nesta sexta-feira que a autoridade monetária dos Estados Unidos irá atuar "apropriadamente" para sustentar a expansão da economia e ressaltou que o Fed tem "as ferramentas necessárias" para apoiar o crescimento econômico no país. O dirigente enfatizou que é possível observar alguma moderação na economia americana neste ano, mas apontou que a perspectiva é sólida e de "expansão sustentada" no país.

Em entrevista à Bloomberg TV, Clarida disse que o Fed monitora de perto os ventos contrários que a economia dos EUA está enfrentando e destacou que o argumento para um ambiente de maior acomodação monetária aumentou, o que já tinha sido apontado pelo presidente do Fed, Jerome Powell, na última quarta-feira. Clarida pontuou que o banco central tem flexibilidade de atuar para deixar as taxas de juros longe do zero na banda inferior dos Fed funds.

O vice-presidente do Fed apontou que a incerteza no comércio global tem pesado no sentimento e afirmou, ainda, que as tendências globais estão tendo impacto na economia dos EUA no momento em que "há muito incerteza sobre como a economia mundial irá navegar". Ele disse, ainda, que o banco central está observando "diversos indicadores" para determinar os rumos da política monetária e comentou que há um cenário global de baixa inflação, embora tenha enfatizado que os EUA estão mais próximos da meta de inflação do que a zona do euro ou o Japão.

Questionado sobre a investida da Casa Branca contra o banco central, Clarida disse que o mandato dos dirigentes que integram o conselho de diretores do Fed é assegurado pelo Congresso e, por isso, o banco central tem "independência para atuar". Além disso, Clarida comentou não acreditar que a independência do Fed esteja ameaçada pelas recentes críticas ao banco central feitas pelo presidente Donald Trump ou por outros integrantes do governo.