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BRASÍLIA (Reuters) - O Brasil registrou no ano passado 57.341 mortes violentas intencionais, uma redução de 10,4 por cento na comparação com 2017, quando 64.021 perderam a vida dessa forma, segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) divulgado nesta terça-feira.

Esse dado indica que houve uma interrupção do crescimento de mortes violentas dos dois anos anteriores. Apesar disso, o Brasil ainda registra um número de mortes violenta comparável a zonas de guerra.

O Fórum inclui na categoria mortes violentas intencionais a soma de homicídio doloso, latrocínio, lesão corporal seguida de morte e mortes decorrentes de intervenções policiais em serviço e fora.

Em outro fronte, houve um aumento de 4 por cento nos feminicídios em 2018, para um total de 1.206 vítimas. Em 88,8 por cento dos casos, o autor foi o companheiro ou ex-companheiro, 61 por cento das vítimas eram negras e 70,7 por cento das vítimas só tinham no máximo o ensino fundamental.

Os registro de violência sexual alcançaram patamar recorde ano passado, com 66.041 registros. Ao todo, foram 180 estupros por dia, um crescimento de 4,1 por cento na comparação com o ano anterior. O perfil das vítimas de violência sexual é o seguinte: 81,8 por cento são do sexo feminino; 53,8 por centro tinham até 13 anos; 50,9 por cento eram negras. A cada hora, quatro meninas de até 13 anos foram estupradas.

Em 2018, os casos de lesão corporal dolosa decorrentes de violência doméstica ano passado somaram 263.067, um crescimento de 0,8 por cento na comparação com 2017.

 

RORAIMA

A taxa de mortes violentas intencionais por 100 mil habitantes no Brasil foi de 27,5 por cento ano passado, mesmo patamar de 2013. Em 2018, os Estados que registraram as maiores taxas foram Roraima (66,6), Amapá (57,9), Rio Grande do Norte (55,4) e Pará (54,6) e, na outra ponta, as menores ficaram com São Paulo (9,5), Santa Catarina (13,3), Minas Gerais (15,4) e Distrito Federal (16,6) --Acre, Pernambuco e Minas Gerais foram as unidades da Federação que mais diminuíram essa taxa.

Ao todo, 11 a cada 100 mortes violentas intencionais (6.220 vítimas) foram provocadas pelas polícias em 2018, um crescimento de quase 20 por cento em relação a 2017. Dentre as vítimas, 99,3 por cento são homens, 77,9 por cento entre 15 e 29 anos e 75,4 por cento são negros.

O Brasil gastou 91 bilhões no ano passado com o financiamento da política de segurança, 1,34 por cento do PIB e uma elevação de 3,9 por cento na comparação com 2017.

O maior gasto per capita por região em 2018 ficou com o Centro-Oeste, com 463,71 reais, e o menor, com o Nordeste, 291,60 reais.

Ao todo, o país tinha 726.354 pessoas presas ano passado --uma elevação de 212 por cento no número de presos em relação ao ano de 2000, quando era cerca de 232 mil. O déficit de vagas aumentou: ano passado eram 432.242 vagas ante cerca de 135 mil em 2000.

 

(Por Ricardo Brito; Edição de Alexandre Caverni)