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O Banco Central (BC) deve começar a cortar a taxa básica de juros do Brasil (Selic) a partir de avanços “concretos” no processo de tramitação da reforma da Previdência Social.

É o que afirma a instituição na ata do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada ontem. O documento se refere à reunião que manteve os juros a 6,50% ao ano, na semana passada.

Para o economista da GO Associados, Pedro Henrique França, um “avanço concreto” significa a aprovação da reforma em primeiro turno na Câmara dos Deputados. “A votação em primeiro turno é a mais complicada. No segundo, os deputados já passaram pelo desgaste político, não têm muito porque alterar voto.”

Na leitura de França, não é necessário que o BC espere toda a tramitação para cortar os juros. Sobre isso, lembra que a autoridade monetária, em 2016, começou a reduzir a Selic antes (em outubro) da aprovação do teto de gastos no Senado (dezembro). “Houve pouca mudança no comportamento da gestão do Ilan Goldfajn [ex-presidente do BC entre 2016 e início de 2019] para a gestão do Roberto Campos Neto [atual presidente]”, afirma França.

Já para Fernanda Consorte, economista-chefe e estrategista de câmbio do Banco Ourinvest, o Copom tem adotado a postura de condicionar o corte de juros à aprovação da reforma da Previdência, sem se comprometer com uma data, para ir avaliando melhor o cenário político ainda incerto. PÁGINA 6