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O Brasil corre risco de sofrer embargos temporários de países europeus em consequência das queimadas na Floresta Amazônica. Especialistas acreditam que movimento pode gerar pressão por preços de commodities agrícolas.

“Em um momento de negociação de um acordo comercial, não é interessante dar munição ao outro lado. Podem ocorrer pressões e até mesmos embargos temporários. Mas não deve ser algo permanente, mas mais como um sinal”, avalia o diretor de Commodities da INTL FCStone, Glauco Monte.

Ele acredita que por ser muito difícil encontrar produtores que substituam o Brasil, essas retaliações não devem ser de longo prazo, mas podem prejudicar o Mercosul como um todo em um momento que o bloco negocia um acordo de livre comércio com a União Europeia. “É difícil encontrar outras origens para todos os produtos que o País exporta. Um embargo ocorreria mais por pressão por preços.”

O presidente executivo da INTL FCStone no Brasil, Fabio Solferini, também vê possibilidade da negociação ser afetada, mas acredita que a situação deve chegar a um ponto de acomodação. “As duas partes já estão baixando o tom. Já houve uma sinalização de ajuda do G7 e há uma expectativa que o governo brasileiro comunique medidas de combate às queimadas.”

Durante evento realizado em São Paulo (SP) na segunda-feira (26), Monte declarou que a imagem externa do País é muito importante. “Não podemos perder o que foi conquistado nos últimos anos.”

O especialista ressalta que o Brasil está bem posicionado para cumprir metas ambientais. “Não precisamos ter medo do Acordo de Paris. Estamos muito próximos de cumprir o que foi exigido. A questão ambiental pode ser usada como forma de agregar valor a nossa produção.”

Ele demonstrou estimativas de que o Brasil utiliza de 7% a 8% do total de suas terras para a agricultura. “Se excluirmos a Floresta Amazônica, o total ainda é baixo, cerca de 18%. Se recuperamos nossas pastagens, temos potencial de dobrar essa área sem derrubar uma única árvore.”

No mesmo evento, o secretário de inovação, desenvolvimento rural e irrigação do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Fernando Camargo, afirmou que “ninguém preserva melhor o solo do quem detém o ativo, ou seja, os próprios produtores.”

Investimentos

Solferini aponta que, diante das perspectivas de crescimento da população global e mudanças de hábitos de consumo na Ásia e África, a demanda por commodities irá crescer dramaticamente nas próximas décadas. “O Brasil terá um papel importante em atender essa necessidade. A estimativa é que a produção brasileira irá crescer 45% até 2030. Para isso ser viável, serão necessários grandes investimentos em logística e armazenamento.”

O presidente executivo da INTL FCStone no Brasil assinalou que os investimentos em portos, silos, rodovias, ferrovias e hidrovias deverão totalizar US$ 332 bilhões na próxima década. “Pela situação fiscal do País, a tendência é que esse dinheiro venha do estrangeiro. É muito importante que o Brasil siga se adequando aos padrões internacionais de sustentabilidade.”