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Depois de um crescimento de 3,6% em 2017 e 4,1% em 2018, as vendas do varejo para o Dia dos Pais devem subir só 2,1% este ano. A estimativa é que, para a data, os lojistas movimentem R$ 5,6 bilhões.

Os dados foram estimados ontem (6) pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e envolve uma cifra já descontada a inflação em um ano, que atualmente está um pouco acima dos 3,75%.

A pesquisa aponta que os hiper e supermercados serão o destaque positivo da data, com 40,4% do total de vendas, o equivalente a R$ 2,1 bilhões. Em seguida, vêm o ramo de artigos de uso pessoal e doméstico (R$ 829,1 milhões ou 15,6% do total), e o de vestuário e calçados (R$ 683,4 milhões ou 12,9% do total).

Segundo a CNC, as vendas serão estimuladas pela queda estimada dos preços de televisores (-6,9%), calçados esportivos (-3,0%) e bebidas alcoólicas (-0,8%). Na comparação com o mesmo período do ano passado, livros (+26,8%), entradas para cinema (+14,3%) e aparelhos telefônicos (+11,0%) estão mais caros.

Para o presidente da CNC, José Roberto Tadros, mesmo que o crescimento das vendas não seja tão significativo, pois o consumo ainda esbarra na lenta tendência de queda do desemprego e ociosidade no mercado de trabalho, a data trará um alento com a perspectiva de contratação. “O varejo está apostando numa segunda metade de ano mais favorável, decorrente de medidas de estímulo à economia”, afirma Tadros.

Pode ser pior...

Para os economistas da área de Indicadores e Estudos Econômicos da Boa Vista , o crescimento nas vendas para o Dia dos Pais deve ser de, no máximo, 1,5%. Apesar de menor que a previsão da CNC, ambos indicadores projetam altas inferiores às verificadas na últimos dois anos. Segundo balanço da Boa Vista, em 2018, as vendas tiveram alta de 2,8%.

“O desempenho das vendas na data, assim, deve repetir a tendência observada nas datas comemorativas do primeiro semestre, quando o movimento do comércio frustrou as expectativas do varejo”, dizem os economistas da Boa Vista.

Para eles, o alto nível de desemprego, o aumento do endividamento e confiança reduzida estão segurando o ritmo de expansão das vendas.

Eles destacam que a liberação dos recursos do FGTS não deve impactar nas vendas para o Dia dos Pais, mas podem surtir efeitos positivos nas datas comemorativas seguintes, como Dia das Crianças, Black Friday e Natal.