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A economia enfraquecida no País volta a colocar pressão sobre a Petrobras, diante de um cenário de desaceleração do consumo de combustíveis e dólar em patamar elevado – o que aumenta custos com importações. No curto prazo, a expectativa é que o resultado financeiro da companhia sofra impactos negativos.

Neste cenário, a Petrobras reforça seu discurso de parcerias no refino, o que poderia “diluir” a pressão das oscilações dos preços do barril no mercado internacional sobre a companhia.

O analista da Mirae Asset Corretora Pedro Galdi explica que o plano da Petrobras de vender ativos no segmento de refino tem como objetivo tornar o mercado mais dinâmico, na medida em que as margens são reduzidas e o consumidor é beneficiado. Adicionalmente, o “peso” das variações de preços do barril globalmente seria dividido entre os players do segmento.

“Mas enquanto isso não acontece, a economia está parada, e uma nova greve dos caminhoneiros poderia piorar severamente o quadro. Se a reforma da Previdência não sair, o Brasil vai ficar parado”, acredita o especialista.

O consultor em petróleo Juarez Fontana acredita que o processo de parcerias em refinarias não vai ser fácil. “ Será difícil conseguir negociar até com os petroleiros. Não vai ser tão simples assim, por enquanto é só uma ideia.”

No balanço financeiro do primeiro trimestre, o CEO da Petrobras, Roberto Castello Branco, afirmou que o desinvestimento de refinarias atende a três objetivos principais, sendo a realocação de capital de ativos de baixo retorno para investimento no pré-sal; liberação de recursos para servir a dívida “ainda considerável” e o que o executivo chama de “correção de uma anomalia”, que seria a concentração de 98% da capacidade de refino em um único player - a própria Petrobras. Além disso, no mês passado, a companhia aprovou estudos para vender oito refinarias, que somam capacidade de processamento de cerca de 1,1 milhão de barris de petróleo por dia, ou metade de toda a capacidade de refino da companhia. Estão nos planos ativos como a Refinaria Abreu e Lima (Rnest) e a Gabriel Passos (Regap).

“Hoje, o ambiente econômico é mais favorável para parcerias no refino, justamente porque a economia precisa de soluções que tragam alívio ao bolso do consumidor e movimentem o emprego. Não vejo motivo para este processo não ir para frente, mas ainda vai demorar”, pontua Fontana. Quanto à política de preços da companhia, o mercado demonstra confiança na autonomia da Petrobras. “O governo federal tem mostrado que não quer mudar a política de preços [da estatal]. A empresa não pode pagar a conta das oscilações dos preços do barril de petróleo no mercado internacional”, diz Galdi, da Mirae.

Fontana compartilha da mesma linha de raciocínio. “Não vejo nenhuma ingerência atualmente, até porque a influência do ministro da Economia [Paulo Guedes] nesta dinâmica favorece a autonomia da Petrobras”, considera.

Balanço

Na noite da terça-feira (07), a petroleira divulgou balanço com lucro líquido de R$ 4,2 bilhões no primeiro trimestre, queda de 40,4% sobre um ano antes. No entanto, a geração de caixa medida pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) animou o mercado, atingindo R$ 27,4 bilhões, alta de 7% na mesma base de comparação.

“No operacional, o resultado da Petrobras veio melhor, já que no financeiro o mercado já previa baixas e as mudanças na legislação contábil”, opina o analista da Mirae.

Para o segundo trimestre, Galdi prevê aumento da produção de petróleo pela companhia. “Isso pode melhorar o resultado operacional do período”, complementa.