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Por Luciano Costa

SÃO PAULO (Reuters) - O grupo português EDP pretende avançar no cada vez mais cobiçado setor de serviços em energia do Brasil com uma nova marca, que reunirá diversas soluções da companhia para clientes residenciais e empresas --um cardápio que envolve desde instalações de geração solar e eficiência energética até seguros.

A criação da chamada EDP Smart vem em meio a uma visão da EDP Brasil de que o setor de eletricidade passará por mudanças aceleradas no médio e longo prazos, com uma maior liberalização e digitalização, o que deverá impactar os modelos de negócio das elétricas, disse à Reuters o vice-presidente de Estratégia e Novos Negócios da empresa, Carlos Andrade.

A iniciativa segue-se a apostas de outras grandes empresas no segmento --a francesa Engie, por exemplo, realizou aquisições recentes de negócios em serviços de energia no Brasil, enquanto a AES Tietê, da norte-americana AES, e a italiana Enel lançaram empresas focadas nesse nicho --a AES Ergos e a Enel X.

"É um mercado para o qual o setor elétrico está caminhando. Obviamente, não vamos deixar de ter usinas, negócios de transmissão, distribuição, mas existe um movimento muito forte em direção aos serviços, e a EDP já está muito avançada com isso na Europa", afirmou Andrade.

As atividades reunidas na EDP Smart somaram uma geração de caixa (Ebitda) de 180 milhões de reais em 2018, ou cerca de 6% do total da EDP Brasil, uma fatia que poderá praticamente dobrar nos próximos anos.

"Temos algumas ambições quanto à participação desse negócio no grupo... estamos falando em de 10% a 12% do Ebitda em 2023", apontou o executivo.

Ele lembrou que o mercado elétrico em Portugal, sede da companhia, já foi totalmente liberalizado, o que significa que os consumidores podem escolher diretamente seus fornecedores de energia.

No Brasil, os clientes são atendidos pelas distribuidoras, mas aqueles com maior demanda, como indústrias, podem entrar no chamado mercado livre de eletricidade para escolher seu fornecedor.

Mas esse mercado ainda poderá crescer significativamente, uma vez que o governo do presidente Jair Bolsonaro tem discutido uma reforma regulatória na indústria de energia que deve envolver uma gradual redução das exigências para que consumidores operem no mercado livre, abrindo mais esse nicho, que poderá chegar em algum momento até os clientes residenciais.

Segundo Andrade, a EDP Smart também atuará no mercado livre, mas com foco nas vendas de energia a empresas de pequeno e médio portes, uma modalidade conhecida no mercado como "comercialização varejista", que visa simplificar a adesão a esse mercado para os consumidores.

"Em Portugal, a EDP já oferece venda de energia junto com venda de serviços há alguns anos, e aqui no Brasil esse é um setor emergente", explicou ele.

 

MICROGERAÇÃO E SEGUROS

Outro dos nichos em que a EDP Smart atuará é a chamada geração distribuída de energia --a instalação de sistemas para atender diretamente à demanda de clientes, geralmente com placas solares.

A EDP Brasil já tem construído soluções de geração distribuída para grandes consumidores comerciais e industriais, mas a nova marca buscará levar a tecnologia para residências e empresas de menor porte.

Andrade disse que nesse mercado a EDP Smart testará dois modelos de atuação --a instalação de painéis solares em telhados ou terrenos de empresas para aos clientes de maneira direta e a construção de "fazendas" de geração solar de maior porte, que poderão vender a produção a um grande número de consumidores, de forma pulverizada.

"Vamos atuar nas duas frentes. No caso dos tetos solares, nós instalamos para o cliente e bancos financiam a compra dos painéis. Na solução das 'fazendas', a gente faz um sistema solar e o cliente adquire cotas, como se fosse um pedaço daquela usina. Aí é um modelo de aluguel, ele não precisa comprar", explicou Andrade.

"Precisamos testar um pouco a demanda e ver o que o consumidor quer. Vamos oferecer os dois modelos", acrescentou ele, lembrando que em Portugal a EDP é líder nesse mercado, com mais de 13 mil sistemas fotovoltaicos já instalados.

Além desses negócios, diretamente ligados à indústria elétrica, a EDP Smart oferecerá ainda alguns produtos na área de seguros e serviços residenciais.

De um lado, esses produtos envolverão seguros diversos --como proteção a residências, contra incêndios e serviços de assistência emergencial, além de coberturas contra perda de renda por desemprego involuntário, morte acidental e outras, com direito a participação em sorteios.

De outro lado, a empresa oferecerá serviços --avulsos ou reunidos no chamado pacote Facilita EDP --envolvendo atendimento 24 horas de utilidades como eletricista, encanador, chaveiros e reparos.

"Esses produtos permitem estabelecer uma relação de longo prazo com o cliente", afirmou Andrade.