Publicado em

SÃO PAULO (Reuters) - Um acordo assinado entre Brasil e Paraguai sobre a contratação da energia produzida pela hidrelétrica binacional de Itaipu, que acabou cancelado após gerar polêmica no país vizinho, onde políticos chegaram a ameaçar de impeachment o presidente paraguaio, foi alvo de "uso político", mas as negociações entre as partes por um novo acerto já foram retomadas, disse nesta quinta-feira o presidente da Eletrobras, Wilson Ferreira Jr..

A Eletrobras é responsável pela gestão de Itaipu no Brasil, papel exercido no Paraguai pela também estatal Ande, e as negociações que levaram ao acordo anterior haviam envolvido técnicos das empresas e os ministérios de Relações Exteriores dos países, segundo o executivo.

O Ministério de Minas e Energia brasileiro e o Itamaraty disseram na semana passada que o acordo tornado sem efeitos tinha como objetivo reequilibrar a divisão da energia da usina entre os países, "de modo que cada parte pague pela energia que efetivamente consome", e que Brasil e Paraguai continuarão buscando a "correção dos eventuais desequilíbrios".

"Talvez a gente possa entender. Itaipu... não tem uma relevância absoluta no PIB brasileiro, mas tem sim no caso do Paraguai... houve esse uso político perturbador, deu-se um passo atrás, mas vai se continuar perseguindo esse processo", disse Ferreira, ao participar de evento com investidores em São Paulo.

 

(Por Luciano Costa; edição de Roberto Samora)