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RIO DE JANEIRO (Reuters) - A Eletronuclear, subsidiária da Eletrobras, entrou com uma ação na Justiça contra o ex-presidente da estatal nuclear Othon Luiz Pinheiro e outros ex-dirigentes para buscar ressarcimento por desvios nas obras de Angra 3, informou à Reuters a empresa nesta terça-feira.

O pedido de indenização feito à Justiça do Rio de Janeiro é no valor de 5 milhões de reais.

As obras da usina de Angra 3 foram paralisadas em 2015 após a operação Lava Jato descobrir irregularidades e desvios na obra da unidade nuclear, no sul do Estado.

"A ação em questão foi distribuída contra Othon Luiz Pinheiro da Silva e três ex-dirigentes. A empresa cobra os danos morais causados à Eletronuclear por irregularidades relacionadas às obras civis de Angra 3, no valor total de 5 milhões de reais, informou a Eletronuclear à Reuters.

Othon Luiz chegou a ser preso pelo caso. A companhia não informou quem são os outros ex-dirigentes incluídos no processo para indenização.

A construção de Angra 3 ainda não foi retomada, e a expectativa é que o modelo para atrair um sócio estratégico para a conclusão da obra seja definido ainda este ano. Se o cronograma for respeitado, a previsão é que a usina comece a operar em 2026, com anos de atraso.

O processo de Angra 3 já levou à prisão neste ano o ex-presidente Michel Temer, o ex-ministro Moreira Franco e outras pessoas, acusados de se beneficiarem de desvios em contratos das obras.

Eles ficaram presos por cerca de uma semana, mas acabaram soltos graças a um habeas corpus concedido pelo desembargador Ivan Athié, do Tribunal Regional Federal (TRF) da 2º região.

O mérito desse habeas corpus será julgado na quarta-feira pela corte.

No início de abril, Temer, Moreira, o coronel da reserva da Polícia Militar de São Paulo e amigo pessoal de Temer João Baptista Lima Filho, além do ex-presidente da Eletronuclear, tornaram-se réus no processo sobre desvios em Angra 3.

Não foi possível falar com o ex-presidente da Eletronuclear ou com algum representante.

 

(Por Rodrigo Viga Gaier)