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Transformar uma empresa familiar com anos de sucesso na estrada e adaptá-la aos novos tempos é o grande desafio de vários empresários no Brasil. Tecnologia e expansão no número de unidades têm sido as ferramentas mais utilizadas pelos herdeiros. Tudo isso sem perder o foco da fidelidade aos de clientes antigos aliado a uma atuação mais regional.

Esse é o caso do coreano Mateo Kim, filho de Young Shin Kim, imigrante que chegou ao bairro do Bom Retiro há 30 anos e se estabeleceu na cidade de São Paulo. Conhecido por ser um dos principais polos de comércio de roupa do Brasil, o local serviu de base para que o empreendedor Young iniciasse sua empresa voltada para o segmento moda atacadista.

“A empresa começou com duas lojas no Bom Retiro focada no mercado de confecção de roupas com máquinas. Após 30 anos de experiência familiar dentro desse segmento, Mateo Kim, que cresceu nesse ambiente, decidiu implementar uma sistema de controle interno para o negócio, que aos poucos, foi se desenvolvendo”, conta Gabriel Sanabria, um dos sócios do novo sistema batizado como Houpa!

O executivo afirma que entrou com o conhecimento na parte de Tecnologia da Informação (TI) para o desenvolvimento da nova plataforma e seu sócio, Mateo Kim, contribuiu com o seu know-how a respeito do segmento de confecção de roupas e administração do negócio. “No início, o objetivo era simplesmente agilizar o processo de comercialização de roupas e artigos de vestuário dentro do negócio”, explica Sanabria.

Ele lembra ainda o fato de que a plataforma hoje em dia funciona como uma ponte entre atacadistas de vestuário e pequenos comerciantes de várias regiões do País.

De acordo com Sanabria, atualmente a ferramenta funciona de forma similar ao modelo de marketplace. Tal plataforma já conta com cerca de oito mil empresas cadastradas, das quais em torno de 20% são marcas atacadistas e o restante de usuários revendedores. “Percebemos que muitos lojistas vêm de regiões longínquas do País para comprar roupas no Brás, tendo em vista que é um local conhecido pela qualidade dos produtos. Com isso, nossa plataforma atua também no sentido de poupar o tempo e dinheiro de hospedagem e transporte que esses lojistas gastariam para viajar até São Paulo”, complementou o executivo.

Ainda de acordo com ele, no segundo semestre deste ano, deve acontecer o lançamento de uma nova funcionalidade que permitirá o pagamento entre o varejista e o atacadista dentro do próprio sistema.

“A maioria dessas marcas é de São Paulo. Mas percebemos também um forte movimento bem interessante que vem do Nordeste do Brasil e, obviamente, a região Centro-Oeste tem se fortalecido muito na confecção e comércio de roupas nos últimos anos”, explicou Sanabria.

Beleza

Outro exemplo de empresa familiar que vem ganhando novos contornos com a modernização e a expansão é o Cat’s Cabelereiro. “A primeira unidade do Cat’s foi fundada por meu pai há cerca de 40 anos, no bairro do Morumbi [São Paulo] e hoje são quatro unidades, com a inauguração mais recente no Shopping Parque da cidade, localizado na Chácara Santo Antonio”, conta uma das administradoras e sócias do negócio, Bruna Soares.

Segundo ela, o movimento de expansão da rede só veio após 30 anos de operação da primeira unidade do negócio, que recebia em grande parte clientes que residiam nos arredores do estabelecimento. “Antes de iniciar a fase de abertura de novas unidades, nos preocupamos com a viabilidade da entrada do negócio em determinada região”, argumentou.

Para Bruna, formada em administração e sócia de seus outros dois irmãos, uma das diferenças entre o primeiro local de atuação do cabelereiro e as demais unidades pode ser percebida no perfil dos clientes. “Pelo fato de ser uma empresa familiar, os clientes acabam construindo conosco uma relação próxima, com o passar dos anos. Inclusive acabamos recebendo muitas crianças durante os finais de semana”, complementou a executiva.

Além disso, ela diz que, em virtude do movimento de expansão do negócio se concentrar em regiões com grande volume de empresas, os salões de beleza passaram a receber um público maior de executivos durante a semana. “ Percebemos que houve um crescimento muito grande em nossa unidade na Vila Olímpia por conta disso, mas a maioria do movimento continua sendo em dias como sexta-feira e sábado”, argumentou.

Sobre o perfil da clientela, Bruna afirma que os homens costumam gastar cerca de R$ 130 mensalmente. Já em relação às mulheres, a executiva declara que o tíquete médio está girando em torno de R$ 150 por semana e que o movimento desse grupo de clientes comparece mais aos sábados.