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Por Luciano Costa

SÃO PAULO (Reuters) - A elétrica Eneva espera fechar no segundo semestre a estrutura de financiamento de seu projeto de expansão da capacidade de uma termelétrica no Maranhão, disse à Reuters uma executiva da companhia, que estimou ainda que as obras do empreendimento devem ter início ainda no primeiro semestre.

A companhia viabilizou a venda da produção futura do projeto, de 386 megawatts, em leilão realizado pelo governo em dezembro, o A-6. A unidade precisa iniciar operações até 2024, e o investimento está estimado em cerca de 1 bilhão de reais, segundo dados da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).

"Estamos estudando qual a melhor estrutura para esse financiamento. A gente pretende estar com isso concluído no segundo semestre", disse a Gerente de Relações com Investidores da Eneva, Flavia Heller.

Ela adiantou que está em avaliação a possibilidade de um financiamento corporativo, com captação dos recursos pela holding Eneva, e não no modelo "project finance", geralmente adotado em empreendimentos de energia, em que a dívida é atrelada a uma subsidiária criada especificamente para tocar o projeto.

Essa solução provavelmente seria mais vantajosa dadas características específicas do projeto da Eneva, que envolve o chamado "fechamento de ciclo" da termelétrica a gás Parnaíba I, por meio da implementação de turbina a vapor na unidade.

"É um projeto muito gerador de caixa, até porque (a geração com as turbinas adicionais) não tem o custo variável do gás. Em 'project finance' você tipicamente tem mais restrição de distribuir dividendo do projeto, o caixa fica 'preso' no projeto. Por esse motivo, entre outros, estamos analisando uma estrutura de financiamento corporativo", explicou.

Ela não quis entrar em detalhes sobre a estrutura de financiamento, que eventualmente poderia envolver a emissão de dívida pela Eneva.

"Ainda não temos a definição da estrutura, mas se for para fazer uma emissão, tem todos os processos, e esperamos estar com tudo concluído no segundo semestre, com o financiamento equacionado", apontou.

Em paralelo, a companhia espera iniciar a construção do empreendimento ainda no primeiro semestre, ante uma expectativa anterior de obras no segundo semestre, segundo a executiva da companhia.

A Eneva mantém a disposição de antecipar a conclusão da usina para 2022, o que permitiria a venda no chamado mercado livre de energia da produção registrada antes da entrada em vigor do contrato de comercialização fechado no leilão, em 2024.

"Está tudo correndo dentro do esperado", disse Flavia.

 

EXPANSÃO

Além do fechamento de ciclo da termelétrica de Parnaíba, a Eneva pretende viabilizar em breve a construção de uma usina a gás na região do campo de Azulão, na bacia do Amazonas, adquirido pela companhia junto à Petrobras em novembro de 2017 por 54,5 milhões de dólares.

A companhia pretende utilizar as reservas locais de gás para geração na usina, em modelo semelhante ao adotado na bacia do Parnaíba, onde campos da própria Eneva abastecem as usinas da empresa.

A elétrica chegou a inscrever a termelétrica no leilão A-6 do ano passado, mas a baixa demanda pela contratação de novos projetos dificultou a viabilização do empreendimento na disputa.

"Acho que Azulão a gente potencialmente pode comercializar a energia esse ano, obviamente que depende de leilões... mas é um projeto que a gente pretende concretizar em 2019", disse Flavia.

Questionada sobre eventual interesse da Eneva em aquisições, ela afirmou que a companhia estará de olho em oportunidades que possam aparecer em ativos de geração ou exploração de gás onshore.

"Em relação a aquisições eu diria que é algo oportunístico. Não temos nada concreto em nosso radar, mas a gente vai sempre olhar... no segmento de geração e no upstream, concentrado em onshore", afirmou.

A executiva também disse que a Eneva sente-se hoje com um nível confortável de endividamento e pronta para continuar investindo em expansão.

"As perspectivas da companhia são muito positivas, a nosso ver... a demanda (por energia) voltando a crescer, a companhia estará muito bem posicionada para participar disso, você não tem hoje nenhuma outra empresa, sem ser a Petrobras, que seja integrada", afirmou ela, em referência ao fato de a Eneva produzir o gás que abastece suas térmicas.

A empresa, criada pelo empresário Eike Bastista como MPX Energia, chegou a ter a alemã E.ON como sócia e passou por uma crise que envolveu uma recuperação judicial, encerrada em 2016.

Depois de mudanças societárias e de um re-IPO, em 2017, a Eneva prevê chegar até 2024 com uma capacidade instalada de 2,5 gigawatts, o que a colocaria entre as maiores geradoras do Brasil.

 

(Por Luciano Costa)