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Em ritmo de recuperação, o mercado imobiliário brasileiro já começa a vislumbrar um movimento mais acelerado de vendas do que lançamentos nos próximos anos. O reaquecimento do setor, mais forte no Sudeste e Centro-Oeste, deve puxar um avanço nos preços.

“Quando olhamos para o desempenho do mercado desde o começo do ano até aqui, vemos com otimismo esse processo de retomada. A partir de agora, o preço dos imóveis também será um elemento importante, uma vez que os lançamentos não estão dando conta da demanda por vendas no setor”, argumentou o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic), José Carlos Martins, destacando que o valor por m² dos imóveis em comparação ao mês de março de 2017 teve crescimento real de 8%.

De acordo com ele, o mercado imobiliário passa por um momento de regionalização, com destaque para os resultados obtidos nos últimos trimestres nas Regiões Sudeste e Centro-Oeste. “A força que o agronegócio tem impulsionou o reaquecimento desse mercado nos estados do Centro-Oeste; e, consequentemente, São Paulo é um dos locais com destaque nesse cenário pela importância econômica”, afirmou. Martins lembrou que um dos setores que mais empregou no último levantamento do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) foi a construção civil, com cerca de 18,7 mil postos criados.

Nesse sentido, de acordo com os números divulgados pela Cbic, no segundo trimestre de 2019 sobre o mesmo período do ano passado, o Sudeste registrou alta de 33,5% nas unidades vendidas; o Centro-Oeste, na mesma base de comparação, teve crescimento de 22%. Já o Nordeste apresentou retração de 17%. No âmbito nacional, houve aumento de 16% nas unidades vendidas dentro da análise interanual – chegando a 32,8 mil unidades.

Na perspectiva do vice-presidente da entidade, Celso Petrucci, o Nordeste apresentou resultados negativos em função do orçamento mais restrito do governo federal, que realiza o subsídio do programa Minha Casa Minha Vida (MCMV). “Vemos já alguns problemas na regularização para a contratação da faixa 1,5 [para famílias com renda de até R$ 2,6 mil] e faixa 2 [para famílias com orçamento de até R$ 4 mil] do programa. Em relação ao ano passado, o repasse deve ser 10% menor”, explicou Petrucci, lembrando que a entidade não alterou a perspectiva do mercado crescer entre 10% e 15% até o final de 2019. “Para o faixa 1, especificamente, esse problema fica mais sério, com a necessidade de R$ 3,2 bilhões em recurso para fechar o ano”, comentou ele.

Outro ponto destacado por ele diz respeito ao tempo médio de venda das unidades residenciais no território nacional. “O período de escoamento desses imóveis vem diminuindo cada vez mais e isso deverá se refletir no preço de forma geral no País”, complementou o dirigente. No primeiro trimestre de 2018, o tempo médio para a comercialização de uma unidade era de 14,3 meses. No segundo trimestre deste ano, houve redução dessa estimativa para 11,1 meses. As cidades que registraram as maiores quedas na oferta final de imóveis foram: Belém, Manaus, Campina Grande, região metropolitana de Belo Horizonte, região metropolitana de São Paulo, Joinville, Curitiba, Uberlândia e a região metropolitana de Goiânia.

Segundo o levantamento realizado pela entidade, a Região Sudeste concentra 40,5% estoques desse mercado; seguido pelo Nordeste (26,1%); Sul (18,3%); Centro-Oeste (10,6%); e Norte (4,5%).

Por fim, questionado sobre os efeitos do plano da Caixa Econômica Federal para criar uma linha de crédito imobiliário com juros prefixados, o dirigente afirmou que o mais importante é ofertar mais recursos e, onde houver maior competição, maiores são as chances dos preços caírem e mais agentes vão atuar. “É um mundo novo. Se tiver impacto no curto prazo, pode ser na venda de imóveis prontos”, afirmou Petrucci.