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Por Jeffrey Dastin e Ross Kerber

(Reuters) - Os reguladores de valores mobiliários dos Estados Unidos acabaram com as tentativas da Amazon de impedir que seus investidores considerassem duas propostas de acionistas sobre a polêmica venda de um serviço de reconhecimento facial, um sinal do crescente questionamento da tecnologia.

As decisões, incluindo uma na quarta-feira por funcionários da Comissão de Valores Mobiliários (SEC), ocorreram após um apelo incomum da Amazon para impedir que as propostas não vinculativas fossem votadas na reunião anual da empresa.

Uma das propostas exigiria que a Amazon deixasse de oferecer reconhecimento facial aos governos, a menos que a diretoria da empresa determinasse vendas que não violassem as liberdades civis. A segunda exigiria uma auditoria para examinar o dano aos direitos e privacidade, se houver, que poderia ter resultado do serviço, conhecido como Rekognition.

Ambas as propostas enfrentam batalhas árduas para receber a maioria do apoio de investidores da maior empresa de varejo online e computação em nuvem do mundo. O fundador e presidente-executivo, Jeff Bezos, manterá o direito a voto em cerca de 16 por cento das ações depois que ele e MacKenzie Bezos se divorciarem, disse ela na quinta-feira.

A Amazon se recusou a comentar sobre as decisões da SEC. A empresa é uma das muitas a promover a tecnologia de reconhecimento facial e divulgou as vendas para os aplicadores da lei e para clientes particulares, usando o serviço para fins de identificação de celebridades.

De acordo com a correspondência publicada no site da SEC, a Amazon pediu permissão dos reguladores para ignorar as propostas, classificando-as como insignificantes para seus negócios, entre outras coisas, mas foi rejeitada em 28 de março.

A Amazon deu o passo incomum de pedir uma reconsideração dessa decisão, mas foi novamente rejeitada em uma carta da agência em 3 de abril.