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Os fabricantes de autopeças apostam na reposição para crescer em 2019, com forte demanda do segmento de caminhões pesados. A projeção das empresas é que o aftermaket tenha desempenho superior ao mercado total, que inclui as vendas para montadoras.

O diretor de vendas e marketing da Meritor, Kleber Assanti, conta que a reposição vem avançando de forma considerável no País. “O aftermarket da companhia teve crescimento expressivo no primeiro trimestre, com desempenho 45% superior ao mesmo período do ano passado. Em 2019, a área deve fechar com alta de 20%.”

Ele relata que o trabalho com redes de distribuição tem gerado retorno. “Temos uma equipe que atua junto aos vendedores, com uma unidade de treinamento móvel.” No mercado total, a fabricante projeta alta de 10% a 15% de seus negócios no ano.

Assanti explica que as vendas de caminhões pesados tiveram forte aumento nesse início de ano, beneficiando os fornecedores. “As montadoras que ganharam mercado são justamente nossos clientes. Foi um segmento que encolheu muito durante os anos de crise e está se recuperando gradualmente.”

O diretor para veículos comerciais e aftermarket da Eaton, Sérgio Kramer, estima crescimento acima de 10% no segmento de reposição em 2019, puxado pela renovação do portfólio. “Entendemos que novas tecnologias, como transmissões automatizadas, são um caminho sem volta. Já é bastante comum em segmentos de caminhões e entendemos que isso vai expandir.”

Ele conta que a empresa investiu na modernização dos processos de manufatura de suas unidades locais. “Algumas linhas de produtos globais são de responsabilidade da operação brasileira. Exportamos muitos componentes, especialmente transmissões, para as unidades do EUA, o que diminui efeitos do câmbio.”

A Eaton estima que sua operação de autopeças deve crescer no mesmo ritmo do mercado, também acima de 10%. “O segmento no Brasil está forte e temos expectativas otimistas. O mercado de caminhões foi o propulsor nesse começo de ano”, diz Kramer.

O diretor de aftermarket da Dayco para a América do Sul, Marcelo Sanches, prevê crescimento na casa de 20% em 2019. “Seria um desempenho semelhante ao do ano passado. Tínhamos um portfólio defasado e intensificamos o trabalho de atualização. Isso nos trouxe resultado”, disse em coletiva de imprensa.

Ele explicou que 90% do faturamento da empresa é oriundo do segmento de leves. “Estamos tentando penetrar em pesados, ampliando nosso portfólio nessa linha, que corresponde a 10% de nosso faturamento”, esclarece.

O presidente da Motorservice Brazil, Claus Von Heydebreck, declarou em coletiva de imprensa que a companhia, que comercializa as marcas KS Kolbenschmidt, Pierburg e BF, espera crescimento de 5% no faturamento no País neste ano. “O mercado de equipamento original [montadoras] deve se manter estável e o desempenho deverá ser puxado pelo aftermarket”, assinalou.

Segundo projeção do Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo e Consumo (Ibevar), as vendas do varejo ampliado devem crescer 2,41% no segundo trimestre, com destaque para vendas de automóveis, motos, partes e peças. A previsão é que só a categoria de autopeças tenha alta de 6,26% sobre o mesmo período do ano passado.

Exportações

Assanti assinalou que o principal desafio do segmento nesse ano é a crise na Argentina. “A exportação deve cair. As montadoras estão buscando outras alternativas, mas é difícil compensar os volumes. Talvez o negócio de ônibus seja uma opção, por ser uma escala menor, mas ainda assim é bastante complicado.”

Kramer destaca que o ritmo de produção não está acompanhando o de vendas devido à queda dos embarques. “Há um ajuste por conta dessa retração da Argentina.” De acordo com projeção da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), as exportações de veículos devem registrar queda de 6,2% em 2019, especialmente pelo desempenho negativo de veículos leves (-6,8%).