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Por José Roberto Gomes

SÃO PAULO (Reuters) - A produção de açúcar no centro-sul do Brasil deve alcançar 29,5 milhões de toneladas na safra 2019/20, projetou nesta quinta-feira a INTL FCStone, em um corte de 2,3 por cento ante a estimativa passada, conforme oscilações de preços tanto do adoçante quanto do petróleo tendem a favorecer um mix mais alcooleiro no ciclo que se inicia em abril.

De acordo com a consultoria, a produção de açúcar no principal polo canavieiro do mundo ainda seria 11,4 por cento maior na comparação com 2018/19, uma temporada marcada pela maximização na produção de etanol graças a retornos melhores para as usinas.

A INTL FCStone já havia dito que as referências do petróleo têm viés de alta neste ano por causa de cortes de oferta da Opep e aliados, além de sanções dos Estados Unidos ao Irã.

"Este movimento de alta não apenas aconteceu, como foi ainda mais intenso, em parte devido ao corte maior do que o projetado na produção da Arábia Saudita, além de problemas na Líbia e na Venezuela", afirmaram os analistas João Paulo Botelho e Matheus Costa, da INTL FCStone.

"No mercado de açúcar, por outro lado, a produção na Índia surpreendeu o mercado e acabou compensando grande parte dos fatores altistas", acrescentaram eles em relatório, referindo-se às cotações internacionais da commodity.

As usinas brasileiras conseguem flexibilizar a produção entre etanol e açúcar. Um petróleo mais caro puxaria os preços da gasolina, favorecendo, consequentemente, a demanda por etanol, seu concorrente direto.

A INTL FCStone prevê que o centro-sul fabrique 27,6 bilhões de litros de etanol de cana, versus 26,8 bilhões na previsão anterior e 30 bilhões em 2018/19. Do total, 17,6 bilhões de litros seriam de hidratado, usado diretamente nos tanques dos veículos, e 10 bilhões de litros, de anidro, misturado à gasolina.

Segundo a consultoria, 60,3 por cento da oferta de cana deve ir para a fabricação de álcool em 2019/20, acima dos 59 por cento vistos anteriormente, mas ainda abaixo dos 64,7 por cento do ano passado.

Conforme a INTL FCStone, também são esperados 1 bilhão de litros de etanol de milho, alta de 30,4 por cento na comparação anual.

As previsões da consultoria levam em consideração uma moagem de 568,6 milhões de toneladas de cana no novo ciclo, após 570,3 milhões em 2018/19.

Trata-se de um volume maior que os 564,7 milhões da previsão anteriormente, em uma melhora puxada pela regularização climática após um período de seca no centro-sul.

"Na média do cinturão canavieiro... as chuvas entre fevereiro e março totalizaram 369,8 milímetros, 23,5 por cento acima do mesmo período no ano passado e 4,9 por cento a mais do que a média histórica. No acumulado desde agosto do ano passado, a precipitação totalizou 1.219 mm, 1,5 por cento acima da normalidade. Além disso, para o começo de abril, a expectativa é de que o tempo chuvoso se mantenha", destacaram os analistas.

 

SALDO GLOBAL

A INTL FCStone cortou sua previsão de déficit global na safra 2018/19 (outubro a setembro) para 300 mil toneladas, de 700 mil anteriormente. Para 2017/18, a perspectiva de superávit passou para 8,3 milhões de toneladas, de 9,4 milhões.

"A disponibilidade global de açúcar no ciclo corrente deve continuar apresentando queda em relação ao anterior, especialmente em meio ao cenário mais favorável à produção de etanol no centro-sul. Todavia, a fabricação do adoçante na Índia deve, novamente, surpreender o mercado, limitando o aperto no balanço de oferta e demanda", destacaram Botelho e Costa.

 

(Por José Roberto Gomes)