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Os bancos comerciais podem ocupar mais uma brecha no mercado de crédito deixada pelo BNDES, caso o governo federal encerre o repasse de 40% dos recursos do PIS/Pasep à instituição de fomento.

Hoje, esse dinheiro do PIS/Pasep vai para o Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) para financiar projetos do BNDES, e depois retorna ao FAT na forma de juros. A medida está prevista no texto da reforma da Previdência, modificado pelo relator da proposta, o deputado Samuel Moreira (PSDB-SP). Com o fim do repasse para o BNDES, a expectativa é de que sejam direcionados R$ 217 bilhões para financiar a Previdência, em dez anos.

Caso a medida se concretize, o banco de fomento dará mais um passo no processo de redução do seu papel no mercado de crédito, que vem ocorrendo desde 2017. Para especialistas, a notícia é bem-vinda para os bancos privados, mas seria mais positiva se a economia estivesse em trajetória de crescimento.

“A mudança significaria uma distorção a menos no mercado de crédito”, diz Victor Candido, economista-chefe da Guide Investimentos. “Porém, não é isso que impulsionará mais ou menos o setor de crédito privado. A economia precisa crescer para incentivar o segmento”, ressalta.

Já Alexandre Espirito Santo, economista da Órama Investimentos, diz que a medida não chega nem perto de compensar o aumento da CSLL cobrada dos bancos, conforme prevê o texto da reforma. PÁGINA 6