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Enquanto as principais economias do mundo adotam medidas protecionistas, o Brasil começa a dar sinais de uma maior abertura comercial e de redução de tarifas.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, declarou na última sexta-feira (10) que o governo pretende fazer uma redução gradual de 10% nas tarifas de importação em quatro anos. Para especialistas, a medida, se concretizada, será importante para acelerar a modernização da indústria nacional e estimular recuo de preços.

Mas ressalvam que esses ganhos seriam potencializados por meio de uma agenda de produtividade mais ampla que deveria incluir reforma tributária, redução de gargalos na infraestrutura e a qualificação da mão de obra.

“A abertura da economia tem que ser exponencial, não pode ser linear senão quebra a indústria brasileira. Vamos baixar tarifa média em 10%; sendo 1% no primeiro ano, o dobro no segundo, o triplo no terceiro e o quádruplo no último ano”, disse o ministro Guedes.

Professor de economia da FAAP, Orlando Assunção Fernandes acredita que Guedes acerta em propor uma redução gradual de alíquotas. “Isso demonstra que os equívocos cometidos nos anos de 1990 não serão repetidos. Naquele momento, o governo Collor cortou pela metade o Imposto de Importação em dois anos, o que fez com que muitas empresas entrassem em concordata e com que o nível de desemprego aumentasse”, lembra Fernandes.

O pesquisador dos MBAs da FGV, Mauro Rochlin, reforça que a gradualidade é importante para que setores industriais menos competitivos não sejam muito prejudicados, como é o caso de têxteis e calçados. PÁGINA 6