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A fábrica de automóveis da Honda em Itirapina (SP) – que ficou quase três anos parada após a sua construção devido à crise do mercado brasileiro – agora se prepara para um novo ciclo e vai receber a produção de todos os modelos nacionais da marca até 2021.

A planta terá capacidade para produzir 120 mil unidades por ano, operando em dois turnos. De acordo com a montadora, a transferência da produção de todos os modelos, juntamente com a construção da planta, terá um custo de aproximadamente R$ 1 bilhão.

“A unidade de Itirapina contará com estamparia, soldagem, pintura, linha de montagem e inspeção final. O primeiro modelo produzido é o Honda Fit”, declarou o diretor executivo da Honda Automóveis do Brasil, Otávio Mizikami, em evento de inauguração oficial da fábrica.

Até o início das operações em Itirapina, a linha de automóveis ficava na fábrica de Sumaré (SP). “Reforçamos nosso compromisso com nossa manutenção em Sumaré, fortalecendo a produção de motores, ferramentaria e injeção plástica”, garantiu o presidente da Honda na América do Sul, Issao Mizoguchi.

Os funcionários serão gradualmente transferidos de Sumaré para a nova planta. Atualmente, 450 colaboradores estão atuando em um turno por dia em Itirapina. A expectativa é de que o número chegue a 2 mil até 2021. “Não houve nenhuma nova contratação, o quadro é totalmente composto por transferências”, contou Mizoguchi.

Ele detalha que o maquinário antigo será mantido em Sumaré. “O projeto de Itirapina é mais moderno e competitivo. Teremos ganhos pela redução de custos por volta do terceiro ano da fábrica, quando teremos recuperado os investimentos com a mudança.”

Mizikami afirma que a antiga linha de produção ficará parada. “No momento, não há perspectiva de crescimento de mercado que justifique operar com as duas. Mas a planta estará pronta em Sumaré.” A sede administrativa da Honda na América do Sul e setores de pesquisa e desenvolvimento também seguem na unidade.

A princípio, nenhum novo modelo será fabricado em Itirapina. “Continuamos com os mesmos produtos, para reduzir as variáveis de riscos na transferência. É uma operação arriscada”, diz Mizoguchi.

Resultado de um investimento de R$ 1 bilhão, a planta de Itirapina começou a ser construída em 2013 e ficou pronta em 2016. Porém, devido à grave crise econômica que derrubou as vendas de automóveis no País, ficou fechada nos últimos anos.

“Em 2013, tínhamos um cenário de muita confiança, com quase 4 milhões de unidades comercializadas. No ano seguinte, houve uma reversão de expectativas e a cautela da Honda me pareceu uma decisão sábia”, avaliou durante o evento o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Antonio Megale.

Durante o período que ficou inativa, a planta de Itirapina manteve um quadro de 30 funcionários responsáveis pela manutenção. “Eles faziam a linha rodar duas vezes por semana, sem nenhuma produção”, explicou Mizikami, sem revelar custos dessa zeladoria. Ele destacou que os pré-testes na montagem começaram no ano passado. “O principal fator que motivou esta inauguração foi a reação do mercado, mas a economia tem que ajudar.”

Megale lembrou que, desde 2017, o mercado automotivo voltou a se recuperar no Brasil. “Esperamos que, com a aprovação de reformas no Congresso, a melhora econômica seja mais rápida.” /*O jornalista viajou a convite da Honda.