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SÃO PAULO (Reuters) - A busca de um investidor estratégico para assumir o controle da empresa de concessões de infraestrutura Invepar saiu do radar, disse Renato Villela, presidente do Funcef, um dos sócios da companhia.

"Nossa preocupação agora é mais com rentabilizar o negócio", disse Villela à Reuters nesta sexta-feira.

Holding que opera o aeroporto de Guarulhos, o Metrô Rio, o VLT Carioca e rodovias, a Invepar vem há anos enfrentando os efeitos combinados de baixa atividade econômica do país e a fragilidade financeira de seus principais sócios.

Além do Funcef, fundo de pensão dos empregados da Caixa Econômica Federal, a Invepar tem como principais sócios o Previ, fundo dos empregados do Banco do Brasil e Petros (Petrobras ).

Afetados por perdas bilionárias de investimentos fracassados na última década, esses fundos têm vendido ativos, como parte de esforços para garantir o pagamento dos benefícios dos cotistas.

Neste ambiente, os fundos receberam ofertas de compra do controle da Invepar, em especial a feita pelo fundo Mubadala, de Abu Dhabi. A administradora de concessões CCR também mostrou interesse no ativo. Mas as negociações não evoluíram porque não houve acerto em relação a preço.

O plano dos sócios para o ativo mudou nos últimos meses, disse Villela, com avanços regulatórios para investimentos em infraestrutura, a melhora das condições de captação de recursos no mercado de capitais e da disposição de credores de aportar mais recursos na Invepar.

O movimento coincidiu com a saída de outro sócio da Invepar, a empreiteira OAS [OAS.UL], em recuperação judicial, que passou sua fatia para um grupo de credores em abril. Em junho, conseguiu um waiver de investidores para debêntures de 1 bilhão de reais que tinham uma cláusula de aceleração de pagamento. [nL2N23H1PR]

Segundo o executivo do Funcef, há algumas concessões da Invepar que ainda dão resultados negativos, especialmente no Rio de Janeiro, mas as projeções para o futuro estão melhorando.

A Invepar também está em processo de devolução da concessão da BR-040, no trecho de 936,8 quilômetros entre Brasília (DF) e Juiz de Fora (MG).

Segundo Villela, opções para eventual injeção de novos recursos na Invepar estão sendo analisadas, inclusive com a possiblidade de uma oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês).

"Mas não há no momento planos para a entrada da Invepar em novas concessões de infraestrutura", disse o presidente do Funcef.

 

RECUPERAÇÃO

A reavaliação sobre o futuro do investimento na Invepar é parte dos esforços da gestão do Funcef para tentar se recuperar de enormes perdas. O fundo é o terceiro maior de pensão fechado do país, com 140 mil participantes e cerca de 68 bilhões de reais em ativos sob gestão.

Entre os ativos que renderam prejuízos a afretadora de sondas para exploração de petróleo Sete Brasil, em recuperação judicial e a hidrelétrica de Belo Monte. O fundo também chegou a ter resultado negativo no investimento na produtora de celulose Eldorado, mas conseguiu vender de volta sua fatia para participação da J&F, em 2017, com lucro.

Com a recuperação do valor de outros ativos e uma série de revisões na política de investimentos, o fundo teve em 2018 o primeiro superávit desde 2010.

Villela, que assumiu a presidência da entidade no início deste ano, disse que esforços para melhorar a governança do fundo seguem em andamento, o que poderá permitir que o Funcef volte a investir em ativos considerados de maior risco.

Isso porque a maior parte dos investimentos estão aplicados em títulos públicos, cuja rentabilidade oferecida é insuficiente para atingir a meta atuarial, atualmente de INPC+1% ao ano.

"Por isso, consideramos investir mais em ativos no exterior e, eventualmente, em crédito privado, que oferecem rentabilidades superiores", disse Villela.

O destino de um dos principais ativos da carteira do Funcef, a fatia de 12,8 por cento na Litel, holding controladora da Vale , ainda não está definido, disse ele.

O fundo contratou meses atrás uma consultoria para avaliar opções para uma saída da holding, considerando inclusive o melhor ganho fiscal. Uma eventual saída da Litel daria ao Funcef maior flexibilidade para se desfazer de parte das ações no futuro. "Ainda não temos uma definição sobre o que fazer", afirmou Villela.

 

(Edição Alberto Alerigi Jr.)