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BRASÍLIA (Reuters) - O governo federal aumentou os juros do Plano Safra 2019/20 para parte dos produtores, diante da forte demanda verificada no ano programa anterior, afirmou nesta terça-feira o secretário de Política Agrícola, Eduardo Sampaio.

Segundo ele, o governo ainda optou por elevar as taxas de algumas linhas visando aumentar a abrangência do plano, que ainda tem 10 bilhões de reais do Tesouro para permitir juros mais baixos que os de mercado para boa parte dos agricultores.

No Plano Safra 2019/20, anunciado nesta terça-feira, o governo aumentou os juros para 8% ao ano para financiamentos a grandes produtores, na comparação com o patamar de 7% visto no programa 2018/19, e elevou de 2,5% para 3% ao ano o piso dos juros para pequenos agricultores.

As taxas para financiamento de custeio, comercialização e industrialização para os médios produtores foram mantidas em 6% ao ano, na comparação com o plano anterior.

Já os programas de investimento terão juros variando de 3% a 10,5% ao ano.

"No ano passado, ela (taxa) ficou meio baixa, o dinheiro acabou todo", afirmou Sampaio a jornalistas, explicando que o governo optou, diante de um cenário de aperto fiscal, em praticamente manter o montante de recurso, mas elevar um pouco os juros de algumas linhas.

O plano terá 222,74 bilhões de reais para crédito à agricultura empresarial e familiar, alta de 0,28% ante o plano anterior.

O secretário destacou que o governo optou por taxas mais altas em algumas categorias buscando beneficiar um maior número de produtores.

"Então foi feita a opção: se eu mantiver a taxa de juros, eu vou ter xis bilhões. Se eu mexer um pouquinho nesses juros, eu alavanco muito mais."

O aumento nos juros em algumas linhas ocorreu apesar de a taxa básica de juros (Selic) estar estável desde março de 2018, em 6,5% ao ano.

 

(Por Ricardo Brito)