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O primeiro leilão da Oferta Permanente teve sucesso em atrair empresas de pequeno e médio porte para a exploração em campos terrestres. Realizado na terça-feira (10), o certame arrecadou R$ 22,3 milhões em bônus.

“Abriu-se uma oportunidade e o mercado estava ávido por ela. A iniciativa privada também julgou que o modelo é confiável, sem perspectiva de quebra de contratos e mudança de regras. A disputa foi acima das expectativas”, avalia o sócio da consultoria Solução Energia, Carlos Eduardo Ferreira.

Foram arrematados 33 blocos, nas bacias Sergipe-Alagoas, Parnaíba, Potiguar e Recôncavo, e doze áreas com acumulações marginais, nas bacias Potiguar, Sergipe-Alagoas, Recôncavo e Espírito Santo. “Os blocos trazem um risco maior para o investidor. É preciso perfurar para saber se o poço é produtivo. Já os campos marginais estão no limite da viabilidade econômica e exigem muita competência”, explica Ferreira.

A gigante norte-americana Exxon foi o destaque nos campos marítimos, levando três blocos na Bacia Sergipe-Alagoas, enquanto a Eneva consolidou sua presença na Bacia do Parnaíba. Nas áreas com acumulações marginais houve uma maior pulverização, com sete vencedores dividindo os doze campos.

Na entrevista coletiva após o leilão, o diretor-geral da ANP, Décio Oddone, destacou a diversificação de empresas atraídas. “Tivemos pequenas, medias e grandes arrematando. O mercado se manifestou porque as condições estavam dadas. O calendário de rodadas trouxe tempo e previsibilidade para as pequenas empresas estudarem as áreas.”

Ele também apontou o simbolismo no certame ser o primeiro em vinte anos sem a presença da Petrobras. “É efetivamente a substituição do monopólio por uma indústria. Novas áreas, novos atores e um setor dinâmico, sem dependência da Petrobras.”

Ferreira acredita que o resultado trouxe um panorama otimista. “A oferta permanente traz blocos que já foram leiloados no passado e foram devolvidos. É como ressuscitar um ativo que estava morto. Ver uma disputa por essa carteira menos atraente traz uma perspectiva bastante promissora para o setor.”

Desinvestimentos

O plano de desinvestimento da Petrobras realizou até agora total de US$ 15,3 bilhões, de acordo com o presidente da empresa, Roberto Castello Branco. O executivo participou na terça-feira (10) do Congresso Brasileiro de Mineração.

Os recursos, segundo Castello Branco, serão alocados para ativos que têm a estatal com dona natural, onde os retornos são mais elevados, e pagamento de dívida, hoje em US$ 101 bilhões. "O que representa três vezes o fluxo de caixa anual."

"Estamos ficando na produção de petróleo e gás em áreas profundas e estamos desinvestindo em campos maduros, águas rasas, terrestres, ativos de logística e na parte de refino e distribuição de combustível e gás natural, cujos retornos não são compatíveis com nosso custo de capital", declarou Castello Branco.

O executivo disse que as mudanças na empresa criarão três indústrias no país. "De refino, atualmente uma empresa só controla 98% da capacidade de refino no Brasil. Vamos ter vários produtores, entre eles, de forma relevante, a Petrobras". A outra indústria a ser criada, conforme o presidente da estatal, é a de petróleo em águas rasas e planos terrestres. A terceira, de transporte e distribuição de gás natural.