Publicado em

A Marfrig vê mercado de animais domésticos como estratégico para agregar valor a sua produção e avalia futuro investimento em fábrica nos Estados Unidos. O segmento ainda é considerado incipiente dentro da companhia.

“O mercado pet é um dos pilares em nosso plano de agregar valor. Avaliamos a viabilidade de ampliar nossos negócios nos EUA, por meio de uma fábrica ou de uma marca própria”, declarou o CEO da Marfrig Global Foods, Eduardo Miron.

A empresa atua na produção de ossos bovinos naturais mastigáveis, petiscos naturais e a linha de pet food extrusado desde o final de 2014. Além da marca própria, a Bona Pet, a Marfrig também fornece os produtos para grandes players do mercado. “É uma divisão que tem muito potencial pelo crescimento desse mercado e por ainda não representar tanto no nosso faturamento”, assinala.

O processamento é realizado na planta e Itupeva (SP). Além do mercado interno, boa parte da produção, estimada em cerca de 70 toneladas por dia, é exportada para o mercado norte-americano. Anteriormente, os miúdos eram exportados para a China por um preço bem inferior. “O processamento agrega pelo menos o dobro de valor”, destaca o executivo.

No ano passado, a Marfrig adquiriu 51% das ações da National Beef, uma das maiores processadores de carne bovina dos EUA. A companhia desenvolveu mapa de oportunidades para expandir suas atuações no país e o mercado pet está incluído. “O aumento de nossa capilaridade nos EUA permitirá o desenvolvimento de novos negócios. O mercado pet é gigante e matéria-prima não falta. Inclusive eles ainda não têm muito essa cultura de reaproveitamento de míudos bovinos”, conta.

Hoje, a fábrica de Itupeva opera em capacidade máxima e conta com 65 funcionários. A Marfrig não detalhou números do segmento pet em seus negócios. No último dia 15, a empresa divulgou lucro líquido continuado de R$ 4 milhões no primeiro trimestre, ante prejuízo de R$ 247 milhões no igual período de 2018.

Guerra Comercial

Miron vê 2019 com otimismo, especialmente pelas operações na América do Norte. “Esperamos um ano tão bom quanto 2018 e visualizamos um ciclo positivo para a América do Norte. O cenário doméstico é mais desafiador, mas o efeito da alta do câmbio nas exportações atenua as dificuldades.”

Ontem (23), o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento anunciou ter enviado lista com 30 plantas frigoríficas candidatas a exportar para a China. “Acreditamos que a respota dos chineses deve sair em junho”, diz Miron. “A demanda deles é crescente.”

Ele foi categórico em afirmar que o setor produtivo brasileiro não pode ter preferência na guerra comercial entre China e EUA. “São dois mercados importantes.” / O repórter viajou a convite da Marfrig