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Medidas recentemente sinalizadas pelo governo federal para estimular a economia são consideradas paliativas, em parte, e requerem mais cuidado para serem implantadas.

Enquanto a possibilidade de uma nova liberação dos saques do PIS/Pasep tende a ter um efeito muito pontual sobre o consumo, a reestruturação do Fundo de Garantia do Tempo de Serviços (FGTS) e a correção da tabela do Imposto de Renda (IR) são vistos com cautela por especialistas.

“Na verdade, o que de fato estimularia a nossa economia seria uma ampla reforma tributária que passasse a tributar mais a renda e o patrimônio do que o consumo”, enfatiza Marcos Piellusch, coordenador do Labfin da Fundação Instituto de Administração (FIA).

“Hoje, tributamos excessivamente o consumo e pouco a renda, fazendo trabalhadores que ganham menos pagarem, proporcionalmente, mais imposto sobre um determinado produto em relação àqueles com faixas de renda maior”, completa.

No início do mês, o secretário de Fazenda do Ministério da Economia, Waldery Rodrigues Júnior, afirmou que está em estudo uma nova liberação das cotas do fundo PIS/Pasep, com a possibilidade de redução da idade permitida para realizar o saque que, atualmente, é de 60 anos ou mais. Nos cálculos da Fazenda, a medida deve injetar R$ 20 bilhões na economia.

“É uma ação importante, que estimularia o consumo, mas pontualmente. A medida tem um efeito limitado e é insuficiente para modificar o atual cenário de atividade fraca”, diz o professor de finanças do Ibmec/RJ, Gilberto Braga.

O governo também avalia a reestruturação do FGTS. PÁGINA 6