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A melhora pouco expressiva nos indicadores industriais de julho reforça tendência de estagnação do setor em 2019. Levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) apontou avanço de 2% do faturamento em relação a junho e queda anual de 0,5%.

“Essa trajetória um pouco melhor não muda o quadro de que a indústria está girando em uma velocidade inferior ao que já atingiu nesse período de recuperação econômica”, destaca o economista do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), Rafael Cagnin.

A pesquisa de indicadores industriais de julho, divulgada na segunda-feira (2), mostrou melhora de 0,1 ponto percentual na capacidade instalada em relação ao mês anterior. Também houve incremento de 0,2% na massa real de salários sobre a mesma base. Porém, na comparação com julho de 2018, os dois itens apresentaram queda (0,1 ponto percentual e 0,9%, respectivamente.)

Nos demais indicadores (horas trabalhadas, emprego e rendimento médio), ocorreu piora, tanto na comparação mensal, quanto na anual. “Os dados sinalizam uma melhora de curto prazo, mas não parecem indicar um processo mais consistente para mudar a história do ano”, avalia Cagnin.

Ele assinala que além das reformas estruturais, como a previdenciária e a tributária, é precisa que o governo se atente a demanda. “Uma medida interessante seria associar essas reformas com uma agenda de impulso da demanda, que está mais lenta do que o potencial atual. É preciso aliar essas duas frentes.”

O professor de economia do Ibmec-SP, Walter Franco, também acredita que são necessárias reformas de caráter microeconômico. “É necessário olhar para a infraestrutura e acelerar as privatizações, mas também é importante que o crédito para o empresário e o consumidor esteja em um patamar mais aceitável.”

Dólar

Franco avalia que a valorização do dólar em relação ao real, que atingiu 8,5% no acumulado do mês de agosto, pode ter um impacto positivo nas exportações da indústria. “É um cenário interessante para quem puder antecipar os embarques. Talvez tenhamos uma surpresa positiva em relação aos números do setor em agosto em função desse impacto.”

Porém, ele acredita que esse movimento não é sustentável no longo prazo. “A valorização do dólar ocorreu muito mais em função de fatores externos do que da economia do País. Por isso, a tendência é voltar ao patamar de R$ 3,80. Além disso, que iria fazer algum investimento em importações terá que esperar”. O economista também espera que a demanda de fim de ano tenha reflexo positivo na produção do terceiro trimestre.