Publicado em

Frente ao alto custo de frete no transporte rodoviário, o deslocamento marítimo pela costa – conhecido como cabotagem – surge como saída para empresários do ramo alimentar e de material de construção movimentarem as mercadorias nas Regiões Norte e Nordeste do Brasil.

“O desenvolvimento desse modal tem sido muito satisfatório nos últimos anos. No primeiro trimestre, especificamente, houve alta de 17% no transporte de cargas dos mais variados segmentos no nosso negócio”, argumentou diretor de Cabotagem e Mercosul da Aliança Navegação e Logística, Marcos Voloch, destacando que o setor de varejo apresentou grande demanda dessa modalidade de transporte nos últimos dois anos em detrimento do deslocamento terrestre.

Para o executivo, muitos varejistas do segmento de material de construção, por exemplo, migraram do transporte terrestre para a cabotagem, assim como redes supermercadistas do Norte e Nordeste do Brasil. “Já outros setores como o de eletrônicos tiveram retração de 15%”, complementou ele.

Ainda de acordo com Voloch, não são apenas segmentos diferentes que estão entrando na carteira da empresa, mas também locais de atuação. “Recentemente, começamos incursões no estado do Maranhão, onde há grande presença de importadores de alimentos. Vemos a possibilidade de começar a atender mais os pequenos e médios varejistas desde o Amazonas até o Nordeste”, concluiu o executivo. Atualmente, a empresa possui nove embarcações que atuam no Brasil e outras cinco em operação por toda a América do Sul.

Para ele, outro elemento que deve auxiliar no crescimento dessa modalidade é são os acordos comerciais entre blocos econômicos, o qual “deve trazer mais transparência” em termos de legislação no continente sul-americano.

De acordo com o último balanço realizado pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), o transporte por meio de cabotagem apresentou incremento de 2,98% em 2018 na comparação com o ano anterior – o equivalente a 161,2 milhões de toneladas de mercadorias deslocadas no período. Os produtos mais transportados foram minérios e óleos minerais.

Em linha com a perspectiva do diretor da Aliança Navegação e Logística, o coordenador logístico da importadora de frutas secas e azeitonas La Violetera!, Juarez Martins, afirmou que enxergou na cabotagem um caminho para reduzir os custos de frete e alcançar novos nichos. “Começamos esse movimento em direção a cabotagem há um ano e meio, especialmente com entregas no estado do Amazonas. Como trabalhamos com produtos em vidro, no início, tínhamos um pouco de receio, mas ocorreu tudo bem e fortalecemos esse processo”, relatou ele.

O executivo também conta que, após a greve dos caminhoneiros, em maio de 2018, o custo no transporte de mercadorias da empresa cresceu 30% “nas maiores distâncias”. “Nessa época sofremos muito com esse aumento e percebemos que o preço da cabotagem se manteve estável, foi então que resolvemos migrar para esse modelo”, comentou o executivo, destacando que a diminuição de custos com esse modal variou entre 20% e 30%. Todos os produtos importados pela empresa vão para a cidade de Curitiba e, depois de serem industrializados, vão para outras regiões do Brasil por meio da costa marítima.

Com faturamento de R$ 20 milhões por mês, Martins conta que a importadora conseguiu ter como clientes pequenos e médios varejistas em Alagoas, por exemplo. “Passamos a encarar essa iniciativa como uma vantagem comparativa no mercado. Não tínhamos muito histórico sobre roubo de nossas cargas no transporte rodoviário, mas com o deslocamento marítimo isso não ocorreu mais”, argumentou o executivo.

Por fim, Martins lembra que um dos atuais desafios na adesão desse modelo de transporte é justamente o excesso de burocracia no processo de chegada das mercadorias nos portos, o que faz com que os prazos para entrega nos pontos de venda fique “apertado”. “A documentação sobre a mercadoria pode levar até 72 horas para ser liberado. Isso faz com que o tempo seja muito curto em algumas ocasiões”, finalizou o executivo.