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Mesmo com uma redução de 7,3% na produção de veículos em agosto sobre um ano antes, o setor automotivo aposta na força “histórica” do segundo semestre para elevar vendas. Do lado das exportações, acordos comerciais devem diminuir a dependência do mercado argentino – hoje em crise.

“No mês de agosto, tivemos um dia útil a menos e isso, combinado com a grave crise que nosso maior parceiro externo [Argentina] está passando, fez com que a produção fosse menor no período. Porém, temos que comemorar os dois milhões de veículos fabricados no acumulado do ano. Esse é um número importante”, afirmou o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Luis Carlos Moraes, lembrando que a perspectiva de produção do setor para o ano se mantém em 11%.

De acordo com ele, as perspectivas não são positivas para a melhora no quadro econômico da Argentina. Com isso, outros países como por exemplo Colômbia e México ganham marketshare gradualmente – embora não sejam capazes de amortecer completamente os efeitos negativos da crise argentina. “O mercado mexicano tem se destacado na importação de veículos pesados. Paralelamente a isso, apostamos no acordo recém-estabelecido com o bloco EFTA [composto pela Islândia, Liechtenstein, Suíça e Noruega], com prazo de 15 anos para zerar as tarifas”, explicou Moraes ontem (5).

Além disso, o governo brasileiro deve anunciar hoje (06) um novo acordo comercial com a Argentina para o setor automotivo, que envolve a redução da Tarifa Externa Comum (TEC) do Mercosul, atualmente em 35%.

De acordo com o balanço realizado pela entidade, as exportações de veículos leves despencaram 34,6% em agosto de 2019 em relação ao mesmo período do ano anterior. No segmento de caminhões, o tombo foi similar na mesma base de comparação: 37,4%. Já a categoria de máquinas agrícolas e rodoviárias, o saldo ficou quase estável: -0,1%.

Segundo Moraes, as expectativas do setor estão voltadas para a redução na taxa de juros básica – que deve chegar em 5% até o início de 2020 – ,liberação do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e inadimplência “relativamente” sob controle. “Olhando apenas o mercado interno, nossa estimativa é que um crescimento robusto volte a ocorrer em 2021”, disse ele, ressaltando que o setor de peças e componentes ainda está esperando possíveis impactos na alta da moeda americana.

Para o coordenador do MBA de Cadeia Automotiva da Fundação Getulio Vargas (FGV), Antonio Jorge Martins, o setor automotivo perdeu a competitividade em virtude da crise econômica e, a partir de agora, busca recuperar o marketshare perdido em mercados externos importantes. “A produção de veículos nesse mercado era de 4 milhões de unidades por ano em 2014. No ano passado, o total de unidades fabricadas foi de 2,5 milhões. Essa queda no mercado interno também se refletiu no volume de carros exportados”, afirmou ele.