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A mudança de hábitos de consumo do brasileiro em relação ao carro tem favorecido as locadoras de veículos, que crescem mesmo em uma economia oscilante. Diante dessa evolução das negociações com as montadoras, a Movida espera aumentar a sua rentabilidade tanto no aluguel quanto na venda de seminovos no curto e médio prazo.

Em entrevista ao DCI, o diretor financeiro (CFO) da Movida, Edmar Lopes, conta que a demanda do segmento de locação vem crescendo ao mesmo tempo em que as empresas elevam a oferta. “O preço da diária caiu muito nos últimos anos, aumentando o acesso ao consumidor, que está optando, muitas vezes, pela venda do carro e por uma utilização maior de serviços como aluguel e aplicativos ”, explica.

No caso da Movida, que foi comprada pela gigante de logística JSL em 2013, o aumento da frota foi expressivo. Na ocasião da aquisição, a locadora possuia 2,5 mil carros. “Hoje, temos 95 mil”, relata.

Lopes destaca que o negócio da companhia é sustentado por dois pilares: o aluguel de carros e a venda de seminovos. “Temos que fazer a desmobilização dos ativos [venda dos veículos] de maneira satisfatória para a frota girar de forma saudável. Principalmente depois da greve dos caminhoneiros, que atrapalhou este processo, estabelecemos o plano de elevar as vendas e melhorar as margens”, pondera.

No primeiro trimestre deste ano, a Movida vendeu 12,7 mil seminovos, alta de 42% na comparação anual e um recorde para a empresa. Com essa marca, a idade média da frota para aluguel caiu para abaixo de nove meses. Na venda de seminovos, esse índice é de 18 meses. “Estamos trabalhando para reduzir o indicador para 13 a 14 meses, patamar em que conseguimos mais rentabilidade. Como se trata de uma empresa relativamente nova, estamos no meio do caminho.”

Outra parte vital deste processo é a negociação com as montadoras, que durante a crise se apoiaram nos frotistas e locadoras – a chamada venda direta – para minimizar os efeitos da recessão. “O que nós assistimos nos últimos anos é uma melhora das condições por parte das montadoras, que têm concedido descontos ou prazos mais longos, além de trabalharem conosco em parcerias dentro de suas estratégias de lançamentos de novos modelos. No geral, vemos uma evolução do relacionamento com as montadoras”, garante.

No primeiro trimestre deste ano, as vendas diretas responderam por 38,57% dos emplacamentos de automóveis no País, segundo dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). Antes da crise do setor, em meados de 2012, esse índice girava em cerca de 25%.

Balanço

Com uma utilização da frota em 75% e foco na pessoa física – com participação cada vez maior dos aplicativos de transporte nessa conta – a Movida elevou o lucro líquido em 56% no primeiro trimestre de 2019 na comparação anual, para R$ 42 milhões, conforme balanço divulgado na noite desta segunda-feira (29). “No rent a car, não sentimos os impactos da crise econômica. O mercado está crescendo de 10% a 15% nos últimos quatro anos e nós temos ampliado o volume e a qualidade da oferta”, comenta o CFO da companhia.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) atingiu R$ 149,6 milhões de janeiro a março, alta de 46,2% na comparação anual. O maior crescimento da receita líquida do período foi reportado na venda de ativos, de 39,4%, a R$ 468,4 milhões. “Independentemente da aprovação de reformas, nossa administração financeira é conservadora. Vamos seguir reduzindo custos, alongando dívidas e fazendo a gestão de caixa para crescer.”