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As constantes evoluções na produtividade dentro dos ambientes de trabalho e a virtualização da economia alteraram a dinâmica do mercado imobiliário. Nesse cenário, empresas de segmentos tradicionais ingressam no coworking e redes hoteleiras apostam em eventos corporativos.

Um dos exemplos de empresas que têm presenciado essa mudança no mercado é a rede de coworking Reflow. “Da mesma forma que as pessoas demonstram a intenção de usar menos carros hoje em dia, a ideia de inquilino ou dono de algum imóvel tende a ser eliminada, dando vez a uma nova concepção de que as empresas e pessoas devem ter acesso ao compartilhamento de coisas e lugares”, argumentou o sócio da rede, Ricardo Comissoli.

Para ele, uma das tendências nos últimos anos tem sido justamente uma presença maior de empresas de grande porte e de segmentos tradicionais – as quais antes apresentavam certa resistência à adesão desses modelos de ambiente corporativo.

“Dentro de nossas 12 unidades no Brasil, vemos grandes empresas farmacêuticas e bancos optando por esse tipo de espaço de trabalho. Na última década, a área estimada para cada colaborador era de 10 m². Atualmente, esse número diminuiu para 5 m²”, complementou o executivo, destacando o fato de que muitos players têm optado por acabar com “desperdício de recursos” tendo em vista a possibilidade dos funcionários trabalharem de forma produtiva em espaços menores. Além disso, ele lembrou que esse movimento ocorre de forma mais intensa, sobretudo, em bairros de maior concentração de empresas nas regiões centrais das cidades.

Ainda segundo o executivo, a rede de espaços compartilhados abriga 200 empresas de pequeno, médio e grande porte. O faturamento anual gira em torno de R$ 2 milhões, segundo Comissoli.

Segundo um levantamento realizado pela FipeZap sob encomenda do DCI, as regiões com os maiores valores de locação em São Paulo são: Cidade Jardim, Pacaembu, Itaim Bibi, Jardins e Vila Nova Conceição. O preço médio das locações comerciais na cidade foi de R$ 44,68 por m², com variação de 0,92% no acumulado do ano de 2019. Já as vendas de salas comerciais na capital paulista registraram incremento de 0,59% no preço, que atualmente gira em torno de R$ 10 mil por m².

Hotelaria

Da mesma forma que as salas comerciais se transformaram em espaços compartilhados de players dos mais variados segmentos, o setor hoteleiro também busca oportunidades de rentabilizar as instalações. Um dos exemplos disso é a rede de hotéis Pullman – marca controlada pelo Grupo Accor.

“A parte de eventos sociais e corporativos ganhou grande importância dentro do hotel nos últimos anos. A partir de 2012 as reuniões corporativas ganharam força durante a semana e, aos finais de semana, apostamos no casamento”, argumentou a gerente geral da rede, Luciana Nakamura.

De acordo com a executiva, alguns dos benefícios na promoção de eventos e reuniões corporativas estão nos gastos realizados pelos hóspedes e convidados. “A cidade de São Paulo, especificamente, tem apresentado ótimos resultados nesse sentido. Para os hóspedes que ficam além do período do evento, buscamos oferecer opções para o entretenimento e, consequentemente, o consumo de bebidas alcoólicas é outro fator que ajuda no crescimento dos gastos”, argumentou a executiva, que preferiu não revelar cifras e percentuais sobre essa evolução de vendas na marca hoteleira.