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Por Rodrigo Viga Gaier e Marta Nogueira

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A Petrobras deve buscar evitar o "nervosismo do mercado" e "aguardar um pouco" antes de reajustar preços de combustíveis, diante de uma disparada do petróleo nesta segunda-feira após ataques a instalações da Saudi Aramco no fim de semana, disse uma fonte da companhia à Reuters.

O barril do petróleo Brent, referência internacional, subia mais de 12% no início da tarde, após ter avançado quase 20% mais cedo, antes de os Estados Unidos anunciarem que podem liberar as Reservas Estratégicas de Petróleo caso necessário, aliviando o movimento nas cotações.

"Temos que aguardar um pouco. Não dá pra seguir o nervosismo do mercado", disse a fonte, na condição de anonimato.

"Imagine se os Estados Unidos liberam parte da sua reserva estratégica, se o Irã recebe autorização para exportar? Os preços caem novamente. Cenário muito instável."

Um eventual repasse da volatilidade desta segunda-feira ao preço do diesel da Petrobras nas refinarias poderia levar a uma alta de 0,15 real por litro nas refinarias, na avaliação do chefe da área de óleo e gás da INTL FCStone, Thadeu Silva.

"Isso seria muito forte. Acho que ela segura uma semana pelo menos sem mexer", disse o especialista, ressaltando que a empresa deve buscar evitar a volatilidade.

Silva pontuou que ainda é difícil avaliar as reais consequências dos ataques contra as instalações da Saudi Aramco, da Arábia Saudita. A ação retirou de operação 5,7 milhões de barris por dia em capacidade da estatal saudita. O grupo Houthi, do Iêmen, assumiu responsabilidade pela ação, mas os Estados Unidos têm culpado o Irã pelo movimento.

"Foi um movimento disruptivo no mercado internacional... tem que ver o que vai dar na relação entre Estados Unidos e Irã. Isso que vai acabar determinando os preços nas próximas semanas", avaliou Silva, destacando que caso os conflitos se agravem, os preços poderão subir ainda mais.

A Petrobras tem evitado repassar a volatilidade dos preços internacionais do petróleo para os combustíveis, desde uma histórica greve de caminhoneiros, que protestaram contra os altos preços do diesel, em maio do ano passado.

Do início de agosto até agora, a empresa fez apenas três ajustes no diesel e quatro na gasolina.

A elevação dos preços do petróleo no cenário global, na avaliação de analistas do banco UBS, será um "teste significativo" para a política de preços da petroleira estatal brasileira.

Os analistas do banco afirmaram, em relatório a clientes, que um dos maiores dilemas para investidores sobre a Petrobras está relacionado à sua capacidade de seguir as variações internacionais de preço e a volatilidade do câmbio.

"Nós agora vemos uma situação desafiadora para a companhia, uma vez que esperamos que o petróleo salte e o real potencialmente se deprecie", escreveram os analistas no documento, publicado no domingo.

Os preços da Petrobras para gasolina e diesel vendidos às distribuidoras têm como base a paridade de importação, formada pelas cotações internacionais destes produtos mais os custos que importadores teriam, como transporte e taxas portuárias, por exemplo.

Os repasses de ajustes nas refinarias aos consumidores finais, nos postos, dependem de inúmeros fatores, como margens das distribuidoras e revendedoras, mistura de biocombustíveis e impostos.

 

(Com reportagem adicional de Luciano Costa)