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Por Luciano Costa

SÃO PAULO (Reuters) - A Polícia Federal, a Receita Federal e o Ministério Público Federal promoveram operação nesta quinta-feira para apurar um suposto desvio de 40 milhões de reais da estatal mineira Cemig por meio de contratos falsos de sua controlada Renova Energia.

Outros contratos da empresa de energia limpa no valor de cerca de 200 milhões de reais ainda estão sob investigação, informaram as autoridades.

Durante coletiva na sede da PF em São Paulo, o delegado Victor Hugo Rodrigues Alves disse que os indícios apontam para um esquema que teria envolvido um contrato superfaturado com a desenvolvedora de projetos eólicos Casa dos Ventos pelo chamado "projeto Zeus".

Os recursos desviados teriam passado por cinco camadas de lavagem de dinheiro até chegarem aos possíveis destinatários finais, segundo explicou.

As investigações contaram com a colaboração de um executivo da Casa dos Ventos, um da Renova e um de uma empresa que teria sido utilizada para movimentar os recursos, a Barcelona Capital, acrescentou o delegado.

"Até o momento, o que sabemos é que os repasses eram determinados por executivos da Cemig, da Codemig e da Andrade Gutierrez -- dois na Andrade, um na Codemig e um na Cemig", acrescentou o procurador da República Vicente Mandetta.

A operação chegou a pedir sem sucesso a prisão temporária de pessoas incluindo o ex-presidente da Cemig, Djalma Bastos de Morais, e um dos fundadores da Renova, Renato do Amaral Figueiredo, segundo documento obtido pela Reuters com uma fonte a par das investigações.

A Reuters havia publicado em maio do ano passado que a Policia Civil de Minas Gerais investigava supostos desvios de recursos da Renova no projeto Zeus, com informação de uma fonte.

No nota ao mercado, a Cemig afirmou que agentes da Polícia Federal e da Receita Federal estiveram na sede da empresa, em Belo Horizonte (MG), para cumprir mandado de busca e apreensão "em razão de indícios da prática de desvios de recursos em prejuízo" da elétrica ocorridos anteriormente a 2015 na Renova.

"A Cemig esclarece que está em total colaboração com as autoridades e que também tem interesse na rápida evolução dessas investigações. A Companhia reforça o seu compromisso com a transparência e que manterá o mercado e a sociedade informados sobre a evolução desses fatos ocorridos no passado", afirmou a companhia.