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O mercado avalia que plano de desinvestimentos e redução de dívida da Petrobras permitirá que companhia volte a concorrer globalmente com as grandes petroleiras. Estatal pretende aumentar rentabilidade focando na exploração e produção de óleo e gás.

“A venda de ativos não é uma ação isolada, faz parte de um plano mais amplo. Permite que a Petrobras tenha mais fôlego para captar recursos, investir naquilo que a empresa faz melhor e voltar ter a força que já teve no passado”, aponta o CEO da MESA Corporate Governance, Luiz Marcatti.

Para o especialista, a crise por qual a companhia passou fez com que ela perdesse terreno na competição contra as principais empresas de petróleo do mundo. “É importante que o controlador da Petrobras, o governo federal, privilegie o desenvolvimento da empresa e não queira utilizá-la como um veículo político, algo que levou uma das maiores companhias do mundo a se tornar uma das maiores endividadas.”

Na última quinta-feira (01), a Petrobras divulgou lucro de R$ 18,8 bilhões no segundo trimestre, resultado beneficiado pela venda de 90% na participação da Transportadora Associada de Gás (TAG) por R$ 33,5 bilhões. O balanço ainda não computou a oferta de ações da BR Distribuidora, realizada em julho e que rendeu R$ 9,6 bilhões.

Os desinvestimentos fazem parte de um plano de priorização da exploração e produção em águas profundas, especialmente no pré-sal, reduzindo participação ou se retirando completamente dos demais negócios, como distribuição, refino e exploração de campos terrestres. “Inicialmente, esse plano foi posto em prática não por estratégia, mas por necessidade de reduzir o endividamento”, destaca o analista da corretora Planner, Luiz Francisco Caetano.

De acordo com a companhia, o indicador de alavancagem — relação dívida líquida com os lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebtida) — foi reduzido de 3,20 para 2,69 do segundo trimestre de 2018 para o igual período de 2019.

Caetano explica que estratégia atual da Petrobras consiste em vender ativos de menor rentabilidade. “A empresa vai ficar menor, focada em segmentos onde a taxa de retorna é maior. A BR Distribuidora é uma excelente empresa, mas de um setor com margem muito menor do que uma empresa de petróleo.”

Em teleconferência na última sexta-feira (02), o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, declarou que o programa de desinvestimentos já está desenhado e tem projetos em execução e outros em estruturação. Ele afirmou que a privatização da subsidiária de logística Transpetro não está em discussão, mas que a empresa deve diminuir de tamanho, uma vez que uma parte dos ativos de transporte está associada a refinarias que serão vendidas.

Castello Branco também afirmou que o próximo plano de negócios da companhia, previsto para o final do ano, já está sendo preparado e irá focar em endividamento baixo, retorno sobre capital investido e custos reduzidos. Ele ressalta que a empresa irá buscar diminuir a diferença em relação aos grandes concorrentes globais.

Produção

A produção de petróleo do Brasil recuou em junho, diante da parada para manutenção de plataforma em Lula, mas o campo no pré-sal da Bacia de Santos continuou como maior produtor de petróleo e gás no país, informou a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

A produção de petróleo do País em junho mostrou uma queda de 6,4% em relação ao mês de maio, a 2,557 milhões de barris por dia, enquanto a produção de gás natural foi de 111 milhões de metros cúbicos por dia, um recuo de 5,8% em relação ao mês anterior.

Segundo a ANP, a parada para manutenção da plataforma FPSO Cidade de Mangaratiba, operando no campo de Lula, foi a principal razão para a redução. Em junho, a produção de petróleo e gás somou 3,257 milhões de barris de óleo equivalente por dia, ante 3,473 milhões em maio.