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SÃO PAULO - O plantio de soja em Mato Grosso, maior produtor brasileiro da oleaginosa, começou timidamente, atingindo 0,28% da área total projetada de 9,7 milhões de hectares, em meio ao tempo seco, informou nesta sexta-feira o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).

Segundo o superintendente do Imea, Daniel Latorraca, o início do plantio no Estado está ligeiramente abaixo do registrado no mesmo período do ano passado, quando chuvas chegaram mais cedo para disparar os trabalhos.

Considerando a área total estimada, de cerca de 9,7 milhões de hectares em 2019/20, e o percentual plantado, o plantio aconteceu em apenas 27 mil hectares.

No mesmo período do ano passado, a semeadura da safra 2018/19 havia acontecido em 79,5 mil hectares, ou 0,83% da área total projetada para o Estado na época.

De acordo com Latorraca, o plantio das primeiras lavouras deve ter acontecido em áreas irrigadas, já que quase nenhuma chuva foi registrada no Estado.

Segundo dados da Refinitiv, na última semana apenas o norte de Mato Grosso teve chuva, com acumulados na semana de cerca de 5 milímetros.

As precipitações mais volumosas começam a chegar no Estado apenas a partir da próxima quarta-feira, mas os volumes acumulados em setembro devem ser baixos.

De sábado até o início de outubro, o norte do Estado deve somar de 20 mm a cerca de 50 mm, dependendo do modelo climático.

Um atraso no plantio de soja não necessariamente é um problema para a oleaginosa.

Mas pode gerar preocupação no momento para a segunda safra de algodão, plantada logo após a soja, disse Latorraca, lembrando que a cultura da pluma precisa ser semeada em janeiro para ter boa janela climática.

O milho segunda safra também é plantado após a colheita da oleaginosa, mas pode ser um pouco mais tarde que o algodão.

"A janela (de plantio) de milho vai até o final de fevereiro", acrescentou Latorraca.

Dependendo das condições climáticas, o Mato Grosso poderá ter uma produção recorde de soja, a 32,8 milhões de toneladas, alta de 1% ante 2018/19, segundo o Imea.

 

(Por Roberto Samora)