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A Vale deve enfrentar mais resistência do poder público para continuar suas atividades, avaliam especialistas. Em última instância, o desafio pode ser maior para a empresa manter competitividade global.

“O governo e as agências reguladoras devem ficar mais rígidos em relação à legislação e licenças ambientais. Era algo que já devia ter ocorrido após a tragédia em Mariana [MG]”, diz o analista da Mirae Corretora, Pedro Galdi.

Nas últimas semanas, a Vale foi obrigada a rever diversas operações, como a interdição de parte do terminal portuário de Tubarão (ES) – com pagamento de multa de R$ 35 milhões; paralisação de oito barragens em Minas, incluindo a de Laranjeiras, na mina de Brutucu, a maior no estado; não-autorização da retomada das atividades da mina de níquel de Onça Puma, no Pará, além de todos os problemas diretamente relacionados ao desastre ocorrido em Brumadinho (MG) em 25 de janeiro.

A analista da Coinvalores, Sabrina Cassiano, não vê essas ações como uma forma de punição à Vale, mas resultado de uma rigidez maior após o rompimento da barragem. “Não acredito que a empresa esteja sendo punida em operações que não estão diretamente ligadas ao desastre. Talvez seja um cuidado maior por parte das autoridades.”

Chamou a atenção o cancelamento da autorização da barragem de Laranjeiras, que não foi construída pelo método de montante e tem atestado de estabilidade vigente. PÁGINA 3