Publicado em

Após alta de 8,4% no número de motos produzidas no primeiro semestre de 2019 sobre igual período do ano passado – chegando ao total de 536 mil unidades –, setor de veículos sobre duas rodas atribui o bom desempenho ao maior acesso ao crédito e a popularização de aplicativos de entrega.

Os dados, que fazem parte de um levantamento realizado pela Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo), ainda apontam para um aumento de 41,9% (72,1 mil veículos) de vendas para as concessionárias em junho em relação ao mesmo período de 2018.

“Vemos nos últimos meses dois movimentos no Brasil: a popularização dos aplicativos de entrega em várias categorias de veículo, e o outro pode ser interpretado como a busca das pessoas por mobilidade urbana, como pode ser percebido no número de scooters nas ruas de São Paulo”, afirmou o presidente da entidade, Marcos Fermanian.

Segundo balanço da Abraciclo, a categoria de motos urbanas foi a mais vendida às concessionárias – responsável por 50,2% das encomendas na indústria. Outro ponto destacado foi a demanda por scooters por parte do consumidor final – alta de 34,6% na comercialização da modalidade em junho sobre o mesmo período de 2018. Para Fermanian, em virtude do alto nível de desemprego do País, a tendência é que muitas pessoas busquem ganho de renda extra por meio desses aplicativos – sobretudo com melhores condições de financiamento dessas motos nas próprias concessionárias.

Exportações

Ainda sobre o estudo, as exportações de motos apresentaram recuo de 50,3% no primeiro semestre de 2019 ante igual período do ano passado. “Diante da grave crise econômica que o governo argentino está passando, já esperávamos uma retração nas vendas externas. Nesse cenário, outras nações podem compensar parte disso, como por exemplo Estados Unidos, Colômbia, Chile e Austrália”, afirmou ele.

Entre janeiro e junho de 2018, os principais mercados para as vendas externas do País eram Argentina (79%), Estados Unidos (6,2%), Colômbia (4,9%), Austrália (4,4%) e Canadá (1,8%). No mesmo período desse ano, porém, a participação na exportação ficou mais pulverizada: Argentina (49,1%), Estados Unidos (16,3%), Colômbia (12,4%), Canadá (7,2%), Austrália (5,9%) e Chile (2,5%).

“Parte dessa produção foi absorvida também pelo mercado nacional. Além disso, outra região que vem demonstrando potencial para exportação é a África, porém com demanda por produtos de menor valor agregado”, diz.