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Com o Carnaval em março, o setor de serviços seguiu na esteira do comércio e cresceu 3,8% em fevereiro comparado a igual período de 2018. A alta, no entanto, se dá em função do maior número de dias úteis no segundo mês do ano e não é o bastante para recuperar as perdas acumuladas pelo setor desde o início da crise.

“No ano passado, o Carnaval acabou caindo em fevereiro e prejudicou o desempenho do setor de serviços. Com isso, a base de comparação estava fraca. A maior prova de que as atividades relacionadas aos serviços ainda não demonstraram avanços reais foi a queda de 0,4% na passagem entre janeiro e fevereiro deste ano”, afirmou o economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), Fábio Bentes.

De acordo com ele, a expectativa da entidade sobre o desempenho anual do setor de serviços foi reajustada de 2% para 1,7%. “Projetamos para 2019 a primeira alta em cinco anos. Nos últimos quatro períodos anuais, podemos observar quedas ou estabilidade no setor, como foi o caso do ano passado”, afirmou Bentes, destacando o fato de que a perspectiva é que o desempenho seja pior em março, em virtude dos efeitos do Carnaval.

Além disso, o economista diz que um dos pontos preocupantes diz respeito à demora na retomada do consumo das famílias brasileiras. “Um aspecto delicado dentro desse cenário é a questão do investimento. Mais de 80% da receita do setor é referente às transações entre empresas, e não de fato relacionada ao movimento de consumo real das famílias”, complementou Bentes.

De acordo com a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os segmentos que mais evoluíram em fevereiro de 2019 em relação ao mesmo período do ano anterior foram: serviços de informação e comunicação (6,2%); outros serviços (5%); serviços prestados às famílias (4,3%); transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio (2,4%) e serviços profissionais administrativos e complementares. Por outro lado, a atividade que apresentaram retração foi armazenagem, serviços auxiliares aos transportes e correio, com queda de 2,6%.

Em relação ao desempenho das regiões brasileiras no período analisado, o levantamento do IBGE aponta a queda do setor em 22 dos 27 estados da federação em fevereiro de 2019 em comparação com o mês anterior. Entre os locais com pior desempenho estão: Distrito Federal (-4,5%) e Rio de Janeiro (-3,2%).

Já no que diz respeito à comparação interanual, houve evolução na prestação de serviços em 12 das 27 unidades da federação. A principal contribuição positiva ficou com o estado de São Paulo (8,3%), com quatro dos cinco setores pesquisados mostrando incremento. Nesse sentido, os serviços de informação e comunicação (17,7%), foi a atividade que mais cresceu.

Ainda de acordo com o economista, em virtude da decisão de congelar o aumento do preço do diesel, as atividades de transporte devem registrar crescimento em receita no mês de abril. “Muito provavelmente haverá uma redução de custos, favorecendo o aumento das receitas desses segmentos. Em maio a base também é fraca, tendo em vista que no ano passado houve a paralisação geral dos caminhoneiros”, complementou Bentes.

Por fim, o economista da entidade também ressalta o fato de que a volatilidade do setor de serviços deve acompanhar o processo de incertezas sobre o cenário político e também econômico do Brasil, sobretudo no que diz respeito às discussões e andamento da reforma da Previdência. “A recuperação real do setor deve ser observada por último”, diz.