Publicado em

Por Rodrigo Viga Gaier

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O setor de serviços surpreendeu positivamente em maio e registrou a maior alta interanual desde 2014, com quatro dos cinco setores em alta mês a mês, mostraram dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira.

Ainda assim, o setor de serviços em transportes --bastante correlacionado ao ritmo da economia-- contraiu, num indicativo da persistente falta de tração na atividade econômica.

Em maio, o volume total do setor de serviços ficou estável em relação a abril, quando houve alta de 0,5% sobre março.

Ante maio do ano passado --marcado pela greve dos caminhoneiros--, o aumento foi de 4,8%, o mais forte desde fevereiro de 2014, quando houve elevação de 7,0%, na mesma base de comparação.

O desempenho para maio, nessa comparação, é o melhor da série histórica.

Os números vieram melhores do que o estimado por analistas em pesquisa Reuters, que previam recuo de 0,4% no mês e alta de 3,6% na base anual.

Em 12 meses até maio, o volume no setor avançou 1,1%, acelerando em relação à alta de 0,4% em 12 meses até abril. É o melhor desempenho nessa comparação desde janeiro de 2015 (+1,8%).Quatro dos cinco setores dentro dos serviços analisados tiveram alta em maio frente a abril, com destaque para o ramo de serviços de informação e comunicação (+1,7%).

Outros serviços (+2,6%), serviços profissionais, administrativos e complementares (+0,7%) e serviços prestados às famílias (+0,5%) também avançaram.

Na contramão, o segmento de transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio caíram 0,6% na base mensal, repetindo resultado de abril. O setor de transportes têm peso de 30% no cálculo da pesquisa.

"O setor de transportes é o mais conectado e associado à atividade econômica e registra quedas nas cinco taxas deste ano", disse o gerente da pesquisa mensal de serviços para o IBGE, Rodrigo Lobo.

"Esse menor dinamismo está ligado ao menor dinamismo da atividade industrial e da economia como um todo", completou.

A economia segue com dificuldades para ganhar fôlego. Na véspera, o IBGE havia divulgado que as vendas no varejo recuaram em maio 0,1% em relação ao mês anterior, depois de queda de 0,4% em abril.