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Por Alexandra Alper e Steve Holland

WASHINGTON (Reuters) - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta sexta-feira um acordo para vender mais carne bovina norte-americana para a Europa, em uma modesta vitória para uma administração que permanece em uma guerra comercial com a China, embora Trump tenha afirmado que tarifas sobre automóveis europeus continuam como uma possibilidade.

A Comissão Europeia destacou que qualquer acordo sobre carne bovina não aumentará as importações totais do produto, e que toda a carne que chegar à UE deve ser livre de hormônios, em linha com as regras sanitárias do bloco. O acordo necessita da aprovação do Parlamento Europeu.

"O acordo que assinamos hoje irá diminuir as barreiras na Europa e expandir o acesso para fazendeiros e pecuaristas norte-americanos", disse Trump em um encontro com autoridades da UE e pecuaristas dos EUA, trajados com chapéus de caubói, na Sala Roosevelt da Casa Branca, onde foi realizado o anúncio.

O acordo foi, então, assinado pelo representante comercial dos EUA, Robert Lighthizer, pelo embaixador da UE nos EUA, Stavros Lambrinidis, e pelo representante do bloco europeu, Jani Raappana.

Trump brincou que seu governo está trabalhando com a UE "em uma tarifa de 25% sobre todas as Mercedes-Benz e BMW entrando em nossa nação."

"Estou apenas brincando", disse ele em meio a risos.

Mas, em conversa com jornalistas mais tarde, o presidente afirmou que a imposição de tarifas aos automóveis europeus permanece como uma possibilidade.

"Tarifas sobre automóveis nunca estão descartadas", disse Trump. "Se eu não conseguir o que eu quero, não terei outra escolha que não fazê-lo. Mas até aqui eles foram muito bem."

O acordo sobre carne bovina poderá ajudar a aliviar alguns dos danos causados ao setor agrícola dos EUA pelas tarifas que Pequim impôs a produtos norte-americanos em retaliação às taxas dos EUA sobre a China.

Trump declarou que no primeiro ano as exportações livres de taxas de carne bovina dos EUA aumentarão em 46%, e que em sete anos crescerão mais 90%. "No total, as exportações livres de taxas vão aumentar de 150 milhões de dólares para 420 milhões de dólares, uma avanço de mais de 180%", disse.

Em relação às cotas para os embarques, fontes na UE e diplomatas disseram em junho que o acordo negociado garantiria aos EUA uma parcela da cota de 45 mil toneladas que a UE possui para bovinos livres de hormônio.

Sem citar nominalmente a China, Lambrinidis disse que os EUA e a UE podem trabalhar em conjunto para enfrentar países que não competem de maneira justa no mercado global.

"O acordo nos mostra que, como parceiros, podemos solucionar problemas", afirmou.

(Reportagem de Alexandra Alper e Steve Holland, com reportagem adicional de Andrea Shalal, Jeff Mason, David Alexander e Susan Heavey em Washington, Tom Polansek em Chicago e Foo Yun Chee em Bruxelas)